Idosa morre após cirurgia por engano em hospital de Campinas
Idosa morre após cirurgia por engano em Campinas (26.07.2026)

Vítima de erro médico: idosa morre três dias após cirurgia trocada

A paciente Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, faleceu no dia 11 de junho de 2026, três dias após ser submetida a uma gastrostomia endoscópica – procedimento de colocação de sonda de alimentação – que era destinada a outra pessoa. O erro ocorreu no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP). A Polícia Civil investiga o caso como homicídio culposo, e o hospital admitiu a falha, abriu sindicância interna e demitiu profissionais envolvidos.

Quem era Jandira?

Jandira Marina Dias Braga, 76 anos, era o centro da família, segundo a neta Camila Dias Barozzi. “Ela era a pessoa que unia todo mundo, casa de vó. Então, hoje, o que eu sinto só é um vazio, um silêncio, e a falta de um colo, que eu sei que era o melhor do mundo”, disse a dentista. A idosa havia vencido um câncer de cólon há 12 anos, mas em maio de 2026 novos exames detectaram um novo tumor primário, sem metástase.

Motivo da internação

Ela foi internada no dia 7 de junho devido a uma obstrução intestinal causada pela volta do câncer. A bolsa de colostomia que usava parou de funcionar, e ela sentia fortes dores abdominais. Jandira aguardava definição da equipe médica sobre o tratamento quando, na noite de 8 de junho, foi levada ao centro cirúrgico.

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Cirurgia realizada por engano

O procedimento feito foi uma gastrostomia endoscópica, que cria um orifício no estômago para inserir uma sonda. Segundo o oncologista Fernando Maluf, a técnica é indicada para tumores abdominais ou pacientes com câncer de cabeça e pescoço que não conseguem deglutir, além de situações paliativas. O tratamento para câncer de intestino, como o de Jandira, envolve a ressecção do tumor e estadiamento. A família afirma que ainda não havia conduta definida para o caso.

Descoberta do erro

Após a cirurgia, que durou 35 minutos (das 18h45 às 19h20), funcionários notaram durante a passagem de plantão que a paciente correta ainda estava no quarto. Ao conferir a pulseira de identificação, descobriram a troca. A neta contou que foi chamada para reunião com a diretoria do hospital: “Ele falou que nunca tinha acontecido isso na carreira dele e que minha avó tinha sido levada ao centro cirúrgico, e feito uma cirurgia no lugar de uma outra paciente”.

Deterioração e morte

Na manhã de 9 de junho, Jandira apresentou confusão mental, hipotensão, queda da saturação de oxigênio e arritmia, sendo transferida para a UTI. “Ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar. [...] Já começou a ter taquicardia, já começou a ter sinais de sepse logo após o processo cirúrgico”, relatou a neta. Diante do agravamento, a equipe optou por cuidados paliativos. Jandira morreu às 19h30 do dia 11 de junho.

Posição do hospital

O Hospital Beneficência Portuguesa reconheceu publicamente o erro e informou que abriu sindicância interna, adotou medidas administrativas contra os profissionais, incluindo demissões. Em nota, a direção afirmou que uma avaliação médica e técnica concluiu que a cirurgia “não alterou o prognóstico da paciente”. A família contesta essa versão, argumentando que o quadro de sepse e a morte foram consequência direta do procedimento indevido.

Investigações em andamento

A Polícia Civil instaurou inquérito no 1º Distrito Policial de Campinas por homicídio culposo. A neta foi a primeira a prestar depoimento, em 23 de junho. Serão ouvidos todos os profissionais envolvidos, desde a internação até a cirurgia, para esclarecer como ocorreu a troca de pacientes. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) também abriram sindicâncias para apurar condutas. O hospital realiza investigação própria.

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Reação da família

A família anunciou que vai acionar a Justiça para responsabilizar os envolvidos e cobrar mudanças nos protocolos de segurança hospitalar. “A última vontade que foi de não deixar ela sofrer foi o que a gente fez [...] o importante é que a gente não queria ver ela sofrer em cima de uma cama de hospital. Acho que ela está num lugar bem melhor”, disse Camila. Ela refutou a alegação de benefício clínico: “Minha avó não precisava daquela sonda. O que ela precisava era de cirurgia para desobstruir o intestino”.