O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou o pedido de um novo acordo de delação premiada do empresário Joesley Vorcaro, encerrando definitivamente as possibilidades de negociação. A decisão foi tomada após análise dos termos apresentados pela defesa de Vorcaro, que buscava reduzir sua pena em troca de novas informações sobre supostos atos ilícitos envolvendo agentes públicos e privados.
Motivos da recusa
Segundo fontes da Procuradoria-Geral da República (PGR), Gonet considerou que as alegações de Vorcaro não apresentavam elementos novos ou relevantes que justificassem a abertura de um novo procedimento. A delação anterior, firmada em 2017, já havia sido alvo de controvérsias e críticas por supostas omissões e inconsistências. “Não há base para um novo acordo. As informações já foram prestadas e não agregam valor ao que já temos”, afirmou um assessor da PGR, sob condição de anonimato.
Histórico de delações
Joesley Vorcaro, ex-executivo do grupo J&F, firmou um dos acordos de delação mais emblemáticos da Lava Jato, que resultou na prisão de políticos e empresários. No entanto, o acordo foi posteriormente questionado por supostas quebras de compromisso e falta de veracidade em algumas declarações. Em 2023, a PGR já havia sinalizado que não renovaria o acordo, mas a defesa de Vorcaro tentou uma última cartada com novas propostas.
Impacto da decisão
A recusa de Gonet representa um duro golpe para Vorcaro, que esperava obter benefícios processuais, como redução de pena ou prisão domiciliar. Atualmente, o empresário cumpre pena em regime fechado por crimes como corrupção ativa e lavagem de dinheiro. A decisão também sinaliza o endurecimento da PGR em relação a delações premiadas, especialmente após as críticas recebidas por acordos anteriores considerados muito brandos.
Reações e próximos passos
A defesa de Vorcaro informou que vai recorrer da decisão, mas especialistas avaliam que as chances de sucesso são mínimas. “A PGR tem autonomia para decidir se aceita ou não uma delação. Sem fatos novos, dificilmente um tribunal obrigará a abertura de novo acordo”, explicou o advogado criminalista Carlos Alberto de Oliveira. Enquanto isso, a Lava Jato no Rio de Janeiro continua investigando outros desdobramentos do caso, mas sem a participação de Vorcaro.



