A Frente Parlamentar da Segurança Pública e a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) divulgaram notas de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) feitas durante reunião do Conselhão na quarta-feira (10). O presidente sugeriu que seria mais seguro devolver celulares roubados nos Correios do que em delegacias e associou a compra de produtos roubados à população de baixa renda.
Declarações de Lula
Lula afirmou: “Na delegacia, as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”. A fala ocorreu ao justificar a escolha dos Correios para receber aparelhos devolvidos pelo programa Telefone Seguro, que prevê o envio de mensagens a celulares roubados com instruções para devolução.
O presidente também declarou que os compradores de celulares roubados são os pobres: “Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta”.
Reação da Frente Parlamentar
A Frente Parlamentar, presidida pelo deputado Alberto Fraga (PL-DF), classificou as declarações como ataques injustificados à honra e à credibilidade de milhares de policiais civis. Em nota, o grupo afirmou que “generalizações dessa natureza enfraquecem a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública”.
A entidade também criticou a associação entre pobreza e receptação, classificando-a como genérica e preconceituosa. “Trata-se de uma generalização incompatível com o respeito à dignidade humana e com os princípios constitucionais da igualdade e da não discriminação”, diz a nota.
Posicionamento da Adepol
A Adepol destacou que a apreensão e custódia de celulares em delegacias seguem procedimentos legalmente estabelecidos, sujeitos à fiscalização do Judiciário e do Ministério Público. A entidade considerou “inadequada, injusta e descontextualizada” qualquer generalização que comprometa a confiança nas instituições policiais.
As notas de repúdio foram divulgadas após as falas do presidente gerarem polêmica, com críticas de representantes da segurança pública e de parlamentares da oposição. O governo, por sua vez, defende o programa Telefone Seguro como uma iniciativa para reduzir o mercado de celulares roubados e facilitar a devolução dos aparelhos às vítimas.



