Feminicídio cresce 4% no Brasil, mas subnotificação é elevada
Feminicídio cresce 4% no Brasil, mas subnotificação é elevada

O número de feminicídios no Brasil cresceu 4% em 2025, totalizando 1.412 casos, mas a subnotificação ainda é elevada, com estimativa de que apenas 30% dos assassinatos de mulheres por razões de gênero sejam registrados oficialmente. Os dados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgados nesta quarta-feira (24).

Aumento impulsionado por estados do Norte e Nordeste

O crescimento foi puxado principalmente por estados das regiões Norte e Nordeste, com destaque para o Amazonas (alta de 18%), Pará (12%) e Maranhão (10%). Em contrapartida, estados como São Paulo e Rio de Janeiro registraram quedas de 3% e 2%, respectivamente. A pesquisa revela que, apesar dos avanços na legislação e nas políticas públicas, a violência letal contra a mulher persiste como um grave problema estrutural.

Subnotificação: apenas 30% dos casos são registrados

O estudo aponta que a subnotificação de feminicídios é alarmante. Estima-se que, para cada caso registrado, outros dois ou três não são contabilizados, seja por falhas na tipificação penal, seja por omissão das vítimas ou de testemunhas. “A subnotificação é um dos maiores desafios no combate ao feminicídio. Muitas mortes de mulheres são classificadas como homicídios comuns, o que invisibiliza a motivação de gênero”, afirmou Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do FBSP.

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Perfil das vítimas e dos agressores

O levantamento também traçou o perfil das vítimas: 61% eram negras, 78% foram mortas dentro de casa e 56% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. A faixa etária mais atingida é de 25 a 39 anos. Quanto aos agressores, 89% são homens e, em 72% dos casos, havia histórico de violência doméstica anterior.

Impacto da Lei Maria da Penha e desafios futuros

Apesar de a Lei Maria da Penha completar 20 anos em 2026, especialistas apontam que sua aplicação ainda é insuficiente. Apenas 40% das cidades brasileiras possuem delegacias especializadas no atendimento à mulher, e a maioria delas funciona em horário comercial, o que dificulta o registro de ocorrências. “Precisamos de mais investimento em capacitação policial e em redes de proteção para que as mulheres se sintam seguras ao denunciar”, disse Lima.

Recomendações do Fórum

O FBSP recomenda a criação de um sistema nacional unificado de registros de violência contra a mulher, a ampliação das casas-abrigo e a implementação de programas de reabilitação para agressores. Além disso, sugere que o feminicídio seja tipificado como crime hediondo em todos os estados, o que ainda não ocorre em algumas unidades da federação.

Os dados completos do estudo estão disponíveis no site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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