Ex-PMs vão a julgamento pelo assassinato do advogado Francisco Di Angellis em Fortaleza
Ex-PMs a julgamento por morte de advogado em Fortaleza

Os ex-policiais militares Glauco Sérgio Soares do Bonfim e José Luciano Souza de Queiroz vão a julgamento nesta quinta-feira (30) pelo assassinato do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais, ocorrido em 6 de maio de 2023, em Fortaleza. A dupla foi pronunciada (encaminhada ao júri popular) por decisão da Justiça Estadual em maio de 2025. A defesa recorreu, mas desistiu, e a 1ª Vara do Júri de Fortaleza agendou o julgamento para as 8h30.

Julgamento e acusações

Os réus serão julgados pelo júri popular pelos crimes de homicídio qualificado e associação criminosa. Glauco Bonfim possui antecedentes por posse irregular de arma de fogo; José Luciano já responde por homicídio, porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal.

O empresário da área da saúde Ernesto Wladimir de Oliveira Barroso, denunciado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) como mandante, não irá a júri. A Justiça considerou que não havia provas suficientes, decidindo pela impronúncia.

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Como ocorreu o crime

Na noite de 6 de maio de 2023, o advogado chegava em sua casa, no Bairro Parquelândia, quando foi baleado por dois homens em uma motocicleta. Segundo o MPCE, os atiradores seriam José Luciano e Glauco Bonfim. A investigação apontou que, dias antes, a dupla instalou um rastreador no carro da vítima e monitorou seus movimentos.

Di Angellis trabalhava para um portal de notícias sediado em Fortaleza. Conforme depoimento de Ernesto, o portal publicou matérias que “questionavam a honestidade” de como ele obteve patrimônio. O advogado teria exigido R$ 1,5 milhão para retirar o material do ar, e Ernesto aceitou pagar R$ 800 mil, segundo testemunhas, incluindo a esposa do empresário.

Rastreador no escapamento

De acordo com a denúncia do MP, o empresário forneceu os dados do veículo do advogado para os ex-PMs monitorarem e prepararem a emboscada. No dia 28 de abril de 2023, Ernesto e Di Angellis se encontraram em uma padaria no Eusébio, região metropolitana de Fortaleza, ocasião em que o empresário teria entregue R$ 800 mil ao advogado. Os ex-policiais aproveitaram para instalar o rastreador no escapamento do carro. Para o MP, o encontro foi promovido para facilitar a instalação do equipamento, “ferramenta fundamental na execução do crime”.

Uma testemunha que trabalhava na padaria afirmou ter visto Ernesto e Glauco Sérgio reunidos no local. No entanto, a Justiça considerou que a investigação não demonstrou “conexão entre Ernesto Wladimir e os demais acusados, seja por telefone, seja por mensagem ou qualquer outro meio de contato, não podendo a pronúncia ser ancorada em presunções”.

Na decisão de pronúncia dos réus, a Justiça destacou que o encontro no Eusébio não caracterizava “um elemento concreto que evidencie os indícios de autoria delitiva em relação a Ernesto”, pois já haviam ocorrido outras tentativas de Glauco e José Luciano de instalar o rastreador.

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