O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura do terceiro inquérito contra Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (4). O novo inquérito apura possíveis irregularidades em contratos firmados por empresas ligadas a Lulinha.
Contexto das investigações
Este é o terceiro inquérito envolvendo Lulinha. Os dois anteriores tratam de supostas doações de empreiteiras e de movimentações financeiras suspeitas. A defesa de Lulinha nega todas as acusações e afirma que as investigações são infundadas.
A autorização de Dino ocorre em meio a um cenário de tensão entre o STF e setores da oposição, que acusam o governo de interferir nas investigações. O ministro, no entanto, alega que a decisão é técnica e baseada em indícios apresentados pela Polícia Federal.
Detalhes do novo inquérito
Segundo o jornal, o inquérito foi aberto a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que apontou indícios de que Lulinha teria recebido vantagens indevidas em contratos com empresas de telecomunicações. A investigação vai analisar contratos firmados entre 2019 e 2023, período em que Lulinha atuava como empresário.
A Polícia Federal terá 60 dias para concluir as diligências iniciais. Entre as medidas previstas estão a quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha e de suas empresas, além da oitiva de testemunhas.
Reações
A defesa de Lulinha, comandada pelo advogado Cristiano Zanin, que hoje é ministro do STF, mas que na época atuava no caso, afirmou que "não há qualquer elemento que justifique a abertura de um novo inquérito". Zanin, no entanto, foi indicado por Lula para o STF e não atua mais no caso.
O ex-presidente Lula ainda não se manifestou publicamente sobre o assunto. Aliados do governo consideram a medida uma perseguição política, enquanto a oposição comemora a decisão.
Números e impacto
Até o momento, são três inquéritos contra Lulinha, todos em fase inicial. O primeiro foi aberto em 2023, o segundo em 2024, e este terceiro agora em 2026. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de inquéritos contra filhos de ex-presidentes é raro, o que torna o caso emblemático.
Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que a abertura de múltiplos inquéritos pode indicar que as investigações estão se aprofundando, mas também pode gerar desgaste político. O caso deve movimentar o cenário político nos próximos meses, especialmente em ano eleitoral.



