Karyna Shuliak, dentista bielorrussa de 37 anos, pode herdar até US$ 100 milhões (cerca de R$ 512 milhões) do espólio do bilionário Jeffrey Epstein, que morreu por suicídio em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes de exploração e tráfico sexual. A informação foi divulgada em uma reportagem do The New York Times neste domingo (26), baseada em documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Relacionamento de oito anos e mudança no testamento
De acordo com o NYT, Epstein e Shuliak mantiveram um relacionamento por aproximadamente oito anos. Em 2019, pouco antes de sua morte, Epstein alterou o testamento para deixar a maior parte de sua fortuna para ela. Na época, o patrimônio era estimado em US$ 600 milhões (R$ 3 bilhões). Após o pagamento de indenizações às vítimas, o espólio atualmente está avaliado entre US$ 120 milhões e US$ 200 milhões (R$ 615 milhões a R$ 1 bilhão). Além de Shuliak, outros beneficiários incluem os filhos de Mark Epstein, irmão de Jeffrey.
Documentos do Departamento de Justiça indicam que Shuliak pode receber até US$ 100 milhões, incluindo um anel de diamante de 33 quilates.
Quem é Karyna Shuliak?
Natural da Bielorrússia, Shuliak mudou-se para Nova York em 2010 com visto de estudante para aprender inglês. Trabalhava como auxiliar de dentista e buscava concluir a formação em odontologia iniciada em seu país. Ela conheceu Epstein em março de 2011, aos 21 anos, por intermédio de uma jovem que, segundo o NYT, era pressionada a recrutar mulheres para ele.
Karyna nunca se identificou como vítima de Epstein nem foi considerada cúmplice pelas autoridades federais no esquema de tráfico sexual.
Ajuda financeira e ingresso na universidade
Segundo a reportagem, Epstein rapidamente passou a ajudá-la financeiramente e ofereceu apoio para que ela ingressasse na Faculdade de Odontologia da Universidade Columbia. Após ser rejeitada, Epstein acionou contatos na universidade e fez uma doação de cerca de US$ 210 mil (R$ 1 milhão). Documentos mostram que dois professores anteciparam a Shuliak temas que cairiam no exame prático de admissão. Depois de aceita, Epstein pagou os três anos restantes da graduação.
Nos primeiros meses, Shuliak chegou a recusar a ajuda. Em um e-mail, escreveu que considerava Epstein uma "pessoa extraordinária", mas afirmou que não poderia aceitar seu apoio "por causa de alguns princípios". Quando Epstein a criticou por acreditar em "rumores e histórias", ela respondeu: "Este mundo às vezes é muito cruel e, na maioria dos casos, temos de pagar um certo preço pelas coisas. Preciso dizer que li algumas informações sobre você".
Dinâmica do relacionamento
O New York Times revela que Epstein chamava Shuliak de sua "favorita", dizia que a amava e transferiu quase US$ 1 milhão (R$ 5,13 milhões) para ela ao longo dos anos. Ela também o ajudava na administração de propriedades e funcionários. Após permanecer nos EUA além do período permitido por seu visto, Shuliak obteve o green card após um casamento com uma assistente de Epstein. Em 2018, tornou-se cidadã americana.
E-mails divulgados mostram que o casal discutia por causa dos relacionamentos de Epstein com outras mulheres. Em uma mensagem, Shuliak escreveu: "Eu entendo que você precise disso, mas essas coisas não parecem naturais para mim. Elas me parecem, de certa forma, sujas". E completou: "Se não for pedir demais, aproveite isso, mas me mantenha distante."
Segundo o NYT, em nenhum dos documentos analisados ela manifesta preocupação com a forma como Epstein tratava mulheres que mais tarde o acusariam. O jornal também destaca detalhes íntimos: trocavam e-mails sobre vida sexual, uso de pílulas anticoncepcionais e tratamentos para acne. Shuliak chegou a comprar produtos de uma empresa de bem-estar sexual voltados para casais e enviava links para vídeos pornográficos a Epstein. Os dois discutiam a frequência das relações sexuais.
Vida após a morte de Epstein
Após a morte de Epstein, Shuliak continuou a carreira na odontologia. Em 2025, obteve licença para exercer a profissão no estado de Nova York e passou a trabalhar em um consultório no Brooklyn.



