O Tribunal do Júri condenou Maycon de Souza Morette a 30 anos de prisão e Wellington Clayton Machado de Proença a 25 anos pela morte do cabo da Polícia Militar do Paraná (PM-PR), Reinaldo José Garozi. O crime ocorreu em setembro de 2023, em Cianorte, no Noroeste do Paraná. O julgamento foi realizado na terça-feira (9) e durou mais de 12 horas.
Detalhes da condenação
Os dois réus foram condenados pelo crime de homicídio com qualificadoras, como motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Maycon está preso no presídio federal de Catanduvas, no oeste do Paraná, enquanto Wellington está na cadeia pública de Cianorte. As defesas dos condenados informaram ao g1 que vão recorrer da decisão.
Relembre o crime
O cabo Reinaldo José Garozi, da PM-PR, morreu no hospital na madrugada de 18 de setembro de 2023, após ser baleado durante uma perseguição a suspeitos na PR-323, em Cianorte. O confronto começou na noite de 17 de setembro. Segundo a corporação, cinco suspeitos estavam em um carro prata quando os PMs tentaram abordar o veículo. O condutor não obedeceu à ordem e fugiu. Durante a perseguição, os homens atiraram contra a equipe policial, que revidou. Após alguns minutos, o veículo parou em frente a uma empresa e a troca de tiros continuou. O policial foi baleado no tórax e encaminhado ao hospital em estado grave, mas não resistiu. Além dele, dois suspeitos morreram no local. Um dos integrantes foi preso e dois conseguiram fugir a pé. Garozi estava na corporação há 26 anos.
Julgamento e defesas
Durante o julgamento, as defesas de Maycon e Wellington negaram que os dois tiveram participação direta nos disparos. Em depoimento, Maycon negou ter dado o tiro que matou o policial e alegou que o disparo pode ter partido de outros agentes durante o confronto. Wellington preferiu ficar em silêncio. Foram ouvidas sete testemunhas, incluindo policiais que participaram da ocorrência e eram amigos da vítima.
Posicionamento das defesas
Os advogados Claudemir Miranda e Yuri Rangel, que atuam na defesa de Maycon, afirmaram em nota: 'A defesa técnica de Maycon de Souza Morette vem a público manifestar-se acerca da decisão proferida pelo Tribunal do Júri que resultou em sua condenação. Inicialmente, a defesa registra seu absoluto respeito à soberania dos veredictos do Tribunal do Júri, instituição consagrada pela Constituição Federal como garantia fundamental do Estado Democrático de Direito. Todavia, após criteriosa análise dos autos e dos fundamentos que envolveram o julgamento, a defesa técnica não concorda com o veredicto proferido, por entender que existem relevantes questões jurídicas e probatórias que merecem reexame pelas instâncias competentes. Nesse contexto, a defesa exercerá plenamente o direito constitucional ao duplo grau de jurisdição, adotando as medidas recursais cabíveis perante o Tribunal de Justiça, na busca pela revisão da decisão, observando rigorosamente os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Por respeito às partes envolvidas, aos familiares e ao próprio Poder Judiciário, a defesa não realizará comentários acerca do mérito das teses recursais neste momento, reservando-se a apresentá-las nos autos, foro adequado para a discussão jurídica da matéria. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no sistema de justiça, permanecendo comprometida com a defesa técnica dos direitos e garantias assegurados pela Constituição da República.'
O advogado Anderson Carraro, que defende Wellington, declarou: 'A defesa apresentará recurso, pois entende que há possibilidade de revisão.'



