Caso Berenice: corpo em IML por até 3 dias para identificação
Caso Berenice: corpo em IML por até 3 dias para identificação

O corpo encontrado durante as buscas pela cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, deve permanecer no Instituto Médico Legal (IML) por até três dias para a conclusão do processo de identificação. A informação foi confirmada à repórter Bruna Capasciutti, da Rede Vanguarda. Segundo o perito do IML, o filho de Berenice fez o reconhecimento inicial da vítima por meio de uma fotografia de uma tatuagem. No entanto, a identificação oficial depende da conclusão dos exames periciais realizados pelo IML.

Estado de decomposição dificulta identificação

De acordo com o perito do IML, o corpo está em avançado estado de decomposição, o que dificulta o trabalho dos especialistas. A primeira tentativa de identificação é feita pelas impressões digitais. Caso não seja possível identificar o corpo pelas digitais, o próximo passo será a comparação da arcada dentária. Se esse método também não for conclusivo, será realizado um exame de DNA. Ainda segundo o perito, o corpo não deve ser liberado neste sábado (18), já que os procedimentos periciais ainda estão em andamento. A estimativa é que todo o trabalho seja concluído em cerca de três dias.

Local da descoberta e investigação

Até então, a principal linha de investigação era de que o corpo fosse o de Berenice, já que o local da descoberta ficava dentro da área delimitada pelos investigadores a partir do trajeto percorrido pela caminhonete da patroa da cozinheira, Eliane Alves dos Santos, de 46 anos. A empresária está presa temporariamente e é investigada por suspeita de homicídio. Segundo apuração do repórter João Mota, da Rede Vanguarda, ela deve ser ouvida novamente no começo da próxima semana, em Caraguatatuba, como parte da continuidade das investigações.

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Vestígios de sangue na caminhonete

A investigação ganhou novos elementos após a polícia confirmar a presença de vestígios de sangue na caminhonete de Eliane. Com o apontamento feito pelos cães, os peritos que atuam na investigação utilizaram luminol no veículo e foi constatado que havia sangue na caminhonete, sendo que a maior concentração foi encontrada no banco do carona. O luminol é uma espécie de reagente químico e constantemente utilizado pela Polícia Científica em investigações criminais. Ele serve para detectar vestígios de sangue que são invisíveis a olho nu. Ao ser borrifado, caso haja sangue no local, o líquido fica com um brilho azul fluorescente. Ambos os laudos da Polícia ainda não foram finalizados. A expectativa é que eles sejam concluídos nos próximos dias.

Áudio do filho confronta patroa

Durante a semana, um áudio do filho de Berenice confrontando Eliane foi divulgado. No áudio, o filho cobra explicações da patroa sobre os últimos momentos antes do sumiço da mãe, em Ubatuba. A patroa Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, está presa temporariamente desde sexta-feira (10). O caso é investigado como possível homicídio pela polícia, apesar de nenhum corpo ter sido encontrado ainda. Na gravação, obtida pela Rede Vanguarda, e que não faz parte da investigação policial, José Carlos de Faria, filho de Berenice, pede que a empregadora conte exatamente o que aconteceu no dia em que a mãe deixou o restaurante onde trabalhava.

Filho: "O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu." Patroa: "Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá." Filho: "Mas, o que houve? Aconteceu alguma coisa? Vocês discutiram? Aconteceu alguma coisa mais séria? Abre o jogo. Eu queria entender, na realidade, o que aconteceu de fato, porque estamos preocupados. Acionei a polícia."

Em resposta, a patroa diz que não sabia que Berenice tinha um filho e se oferece para mostrar onde ela ficava. A mulher também fala que a cozinheira levou tudo do local. Ao longo da conversa, o filho relata a angústia da família por não conseguir contato com Berenice desde o desaparecimento. "É muito estranho. Se ela tivesse perdido o celular ou acontecido alguma coisa, ela pediria para alguém mandar mensagem para avisar. Até agora a gente não tem sinal dela. Desde terça-feira", diz.

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Contradições no depoimento da patroa

O áudio foi gravado no início das buscas por Berenice, antes dos desdobramentos da investigação que levaram à prisão temporária da patroa. A Polícia Civil investiga a empresária por suspeita de homicídio e aponta contradições entre a versão apresentada por ela e as evidências reunidas durante o inquérito. Na terça-feira (14), o g1 mostrou que imagens de câmeras de segurança e registros de radares reforçam as inconsistências no depoimento da investigada. Em um primeiro momento, ela afirmou que deixou Berenice no bairro Toninhas. Depois, disse que a cozinheira desembarcou no trevo de Ubatumirim e seguiria sozinha para o bairro. À polícia, também declarou que voltou para casa após a carona. Segundo os investigadores, no entanto, imagens mostram que a caminhonete da empresária passou pela Estrada do Pasto Grande e seguiu em direção a Paraty (RJ), contrariando o depoimento.

Cumprimento de mandados

Durante o cumprimento dos mandados, o veículo foi encontrado com marcas de reparos compatíveis com danos provocados por disparos de arma de fogo. A polícia também apreendeu três armas registradas e dois celulares na casa da suspeita. A defesa da patroa de Berenice foi procurada pelo g1, mas disse que só irá se manifestar após ter acesso ao processo.