O Lar São Vicente de Paulo, em Sorocaba (SP), completou 130 anos de fundação em 14 de junho de 2026, consolidado como um dos mais antigos pilares de acolhimento humano da Região Metropolitana. Atualmente, a instituição atende 88 idosos em regime de moradia integral, mantendo viva a missão iniciada em 1896 por membros da Sociedade São Vicente de Paulo.
História de acolhimento e superação
A entidade nasceu no final do século XIX para amparar idosos em situação de extrema vulnerabilidade social. O projeto atravessou gerações, sobrevivendo a crises econômicas e transformações urbanas, sempre com atendimento gratuito graças ao apoio comunitário e de voluntários. A primeira sede funcionou na Rua Santa Cruz, no Centro, até a década de 1980. O prédio histórico hoje abriga a Secretaria da Cidadania do município. A transferência para o endereço atual priorizou a saúde mental e o contato dos idosos com a natureza.
O voluntário e ex-presidente Rubens Ribeiro detalha as vantagens da estrutura: "A mudança visou o bem-estar dos idosos. O espaço atual tem 59 mil metros quadrados de área verde, árvores frutíferas e animais de fazenda. Eles ganharam qualidade de vida ao poder caminhar ao ar livre, bem diferente de quando ficavam confinados no casarão antigo, cercados apenas por muros e o barulho da rua", relembra.
Rotina e cuidado humanizado
O lar conta com cuidadores, técnicos de enfermagem e terapeutas. A cuidadora Cleide de Fátima Martins destaca a complexidade emocional do ofício: "Somos terapeutas, pais e mães. Eles vêm chorar e também comemorar com a gente. É gratificante cuidar porque muitos voltam a ser como crianças. Se não formos nós, quem vai fazer? Nossa missão é zelar por eles", diz.
Além do cuidado diário, a música faz parte da rotina. Aos 76 anos, Matilde Assaf conta que gosta da rotina no local, que inclui atividades como bingo, celebrações e momentos de interação com outros moradores. Já Dalva Trindade Gomes, de 85 anos, vive no lar há três anos e destaca a organização da rotina, os exercícios e as amizades: "É gostoso, a gente come na hora certa, nós não fazemos nada aqui. Eu faço caminhada, exercício e a saúde está em dia. Faço amizade, tem muita diversão", brinca.
Museu guarda relíquias históricas
As memórias de mais de um século de acolhimento estão catalogadas em um museu próprio dentro do terreno, sob os cuidados de Vitor Negrini, ex-presidente da instituição, de 94 anos. O acervo possui relíquias que conectam Sorocaba à história do Brasil. Entre as peças está uma fotografia de Dona Balbina, que foi cozinheira de Dom Pedro II e moradora do asilo. O relógio do Palácio Imperial, doado à instituição, também permanece na recepção do local. Os objetos ajudam a preservar a memória de uma história construída ao longo de 130 anos de acolhimento e cuidado.
A manutenção do lar depende do trabalho coletivo e do apoio da comunidade por meio de doações. O aniversário trouxe à tona esse acervo histórico raro, que inclui objetos do Palácio Imperial e relatos de afeto dos moradores.



