Crônica de 1921 denuncia pichações obscenas em São Paulo
Crônica de 1921 denuncia pichações obscenas em SP

A crônica 'Maus costumes', publicada em 27 de março de 1921 no jornal O Estado de S. Paulo, é mais um texto de Pinheiro Junior sobre as pichações espalhadas nos muros, revelando uma cidade distante da imagem de um local tranquilo, limpo e sem conflitos. O autor, que assinava como 'P' na coluna 'Coisas da Cidade', já denunciava o que ainda hoje é um problema urbano: os rabiscos obscenos em paredes e muros.

O retrato da cidade nas crônicas de Pinheiro Junior

Assim como outras crônicas que mostraram uma cidade barulhenta, a falta de higiene nos restaurantes e um transporte público caótico, 'Maus costumes' foca nas pichações e obscenidades que, segundo o cronista, se encontravam espalhadas nas 'ruas de mais movimento de bondes, nos arrabaldes populosos, por onde passam tantas senhoras e crianças, que apresentam, nos muros e paredes, essas inscripções vergonhosas'. Apesar de tentar contra a boa moralidade pública, havia quem se divertisse com os dizeres rabiscados, admite o cronista.

O apelo por ação das autoridades

Pinheiro Junior pede, em nome da moralidade pública, o que ainda se pede hoje: uma atitude das autoridades para apagar e coibir os rabiscos feitos pelos 'moleques'. Na crônica, ele ironiza: 'Imagine-se que esse sujeito desembarca um dia em S. Paulo, e, por mal dos seus peccados, logo na mesma noite, conhece certos aspectos, tristissimos da nossa cidade, alli pelas alturas do largo de S. Francisco e em outras ruas que desemboccam na praça da Republica'. E conclui: 'Não haveria um meio de se acabar com isso, de fórma a não darmos mais uma impressão tão lamentável dos nossos costumes?'

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O texto original e seu contexto histórico

O texto foi republicado com a ortografia e os maneirismos narrativos da época, mantendo os termos originais por se tratar de um documento histórico para auxiliar na compreensão das transformações da cidade e de seus costumes. A crônica menciona um episódio na rua do Arouche, onde um bonde inteiro da avenida Angelica se envergonhou e divertiu ao ver figuras e dizeres garatujados num muro.

Quem foi Pinheiro Junior

José Martins Pinheiro Junior, ou 'P', nasceu em 12 de abril de 1884 em Silveiras (SP). Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1907. Dois anos depois, entrou para o jornal O Estado de S. Paulo como redator, cargo que exerceu durante 35 anos. No jornal, além de redigir a seção 'Coisas da Cidade', ocupou-se da coluna 'Revista das Revistas'. Também foi um dos fundadores da 'Revista do Brasil' (1916) e do Diário da Noite (1926). Como advogado, foi nomeado em 1931 para o cargo de Curador Fiscal das Massas Falidas da cidade de São Paulo, que ocupou até 1954, quando se aposentou. Faleceu em 2 de outubro de 1958. No Acervo Estadão estão registrados 3.311 textos publicados por ele entre 1910 e 1945.

Ilustração e colaboração

A ilustração manual que acompanha a republicação é de Rute Rebelo, feita em 2026, e a colaboração na pesquisa é creditada a ela também.

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