Em 2007, um professor de jornalismo afirmou que jornalistas nunca seriam donos de seus próprios negócios. Anos depois, o jornalista em questão não apenas fundou uma empresa, como se tornou mentor na Link School of Business, a primeira faculdade do Brasil a oferecer graduação em administração focada em empreendedorismo. A instituição, que faturou R$ 130 milhões em 2025, inaugura campus em Miami e busca formar novos empreendedores com metodologia prática.
Da sala de aula à sala de reuniões
Em 2007, ao ingressar na faculdade de jornalismo, um professor foi categórico: “se alguém aqui decidiu fazer este curso pensando em ser dono do próprio negócio, é melhor desistir agora. Porque todo jornalista sempre irá trabalhar para os outros”. Aos 17 anos, aquela fala marcou uma limitação precoce, mas não impediu que, em 2012, o jornalista conciliasse a carreira em uma grande emissora de TV com a gestão de sua primeira empresa.
Essa experiência revelou que todo bom jornalista é um vendedor nato, capaz de convencer pessoas a darem entrevistas em momentos críticos ou de mover céus e mundos para emplacar matérias. Essa habilidade de vender é a base de qualquer negócio rentável, e o autor questiona quem ousa dizer que um comunicólogo não pode ser um empreendedor de sucesso.
Uma fábrica de negócios dentro da sala de aula
A Link nasceu da inquietação de seu fundador, Álvaro Schocair, que percebeu que as instituições tradicionais formavam executivos, mas não estimulavam a criação de empresas. Inspirado na americana Babson College, o projeto traz uma metodologia pragmática, onde a teoria só tem valor se testada na realidade. Com mensalidades em torno de R$ 13.500, a escola se posiciona como um serviço educacional super premium, mas o valor se justifica pelos números: em 2025, a Link registrou receita estimada em R$ 130 milhões, com EBITDA de R$ 50 milhões, e uma rodada de captação que injetou R$ 55 milhões, com valuation de R$ 550 milhões.
O celeiro de unicórnios em formação
A grande ruptura pedagógica acontece no dia a dia: em vez de provas teóricas, os alunos são provocados a fundar e operar empresas durante a graduação. O campus virou uma incubadora. No ano passado, startups fundadas por estudantes atraíram cerca de R$ 100 milhões de investidores reais e movimentaram mais de R$ 130 milhões em valor criado, impulsionadas pelo fundo de venture capital da instituição. Entre os cases, a Norte, startup que gerencia a operação da Guday, marca de suplementos da influenciadora Manu Cit, que faturou mais de R$ 60 milhões em 2025, além de plataformas como Caveo e o suco proteico Noway.
Exportando nosso capital para Miami
Este mês de agosto marca a inauguração oficial do campus da Link em Miami, na Flórida, após autorização do governo americano e investimento de cerca de R$ 50 milhões na unidade de Coconut Grove. É um fato inédito na história acadêmica brasileira: uma instituição puramente brasileira exportando capital financeiro, intelectual e metodológico para o mercado mais competitivo do planeta.
Uma mentalidade que não precisa ser exclusiva
Diferentemente daquele professor de 2007, a postura do autor em sala de aula será oposta. Na Link, quem dá aula também recebe o título oficial de mentor, guiando alunos nos desafios reais dos negócios e da vida. O autor convida à reflexão: já não passou da hora de outras universidades absorverem a coragem e a vivência prática? Que as salas de aula deixem de ser espaços de sentenças limitantes e se tornem oficinas de execução, e que cada um atreva-se a construir aquilo que um dia lhe disseram ser impossível.



