Em tempos de redes sociais, um filósofo romano de 2.000 anos atrás oferece conselhos que parecem feitos sob medida para a era digital. Sêneca, um dos principais nomes do estoicismo, critica comportamentos como seguir a multidão, buscar aprovação alheia e desperdiçar tempo — atitudes comuns em plataformas como X, Instagram e TikTok.
Em seus escritos, Sêneca adverte contra a imitação cega: “Nada devemos evitar mais do que seguirmos ao modo do gado que vai atrás do rebanho que já passou”. Ele também aponta a superficialidade das demonstrações públicas de emoção: “Muitos derramam muitas lágrimas apenas para mostrar, e muitas vezes têm os olhos secos quando não há plateia”.
Sobre a gestão do tempo, o filósofo afirma: “O problema não é que temos pouco tempo, mas que desperdiçamos muito dele. A vida é longa o bastante, mas, quando é gasta em luxo e negligência, compreendemos que a vida passou sem que tenhamos percebido”.
Duas novas edições de suas obras foram lançadas pela editora Goya: “Lições sobre a Vida Feliz” e “Lições sobre a Brevidade da Vida”, traduzidas do latim por Rodrigo Tadeus Gonçalves. A apresentação de “Lições sobre a Brevidade da Vida” é de Mateus Salvadori, doutor em filosofia, que destaca a atualidade do pensamento de Sêneca.
Segundo Salvadori, a obra de Sêneca resiste ao tempo por abordar temas universais como o uso do tempo, a finitude e a arte de viver bem. “Sua linguagem clara e direta permite que suas ideias atravessem os séculos sem exigir formação técnica. A filosofia estoica oferece orientações práticas para lidar com crises e desejos desordenados”, explica.



