Feirante paga faculdade de medicina das filhas com venda de pastel
Feirante paga faculdade de medicina das filhas com pastéis

Marly Moreira Silvestre, de 55 anos, é feirante há mais de 29 anos em Palmas e, atualmente, vende pastéis na Feira da 304 Sul. Há dois anos, ela paga integralmente as mensalidades do curso de medicina das duas filhas, Fernanda Silvestre, de 27 anos, e Tallyta Silvestre, de 29. As estudantes estão no 5º período de uma instituição particular. A renda obtida com a venda dos salgados é a única fonte de financiamento dos estudos das jovens.

A rotina de Marly na feira

Marly trabalha na feira todos os dias para garantir o sustento da família e o pagamento das mensalidades. De acordo com o g1, a feirante conseguiu manter as duas filhas na faculdade apenas com o dinheiro das vendas. Durante a pandemia, ela ampliou o cardápio e passou a oferecer esfihas abertas. Mais de 50 opções de recheio estão disponíveis aos clientes; os sabores de carne com queijo e frango com guariroba são os mais pedidos. Quando consegue pagar as parcelas em dia, Marly ainda garante um desconto de 10% nos valores das mensalidades.

O futuro das filhas

A caçula Fernanda pretende se especializar em cirurgia. Ela contou ao g1 que a área cirúrgica é a que mais desperta interesse até o momento, embora mantenha a mente aberta para outras experiências durante a graduação. Fernanda afirma que o desejo de ser médica nasceu da vontade de fazer a diferença na vida das pessoas e, sobretudo, na da própria família.

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"Cada mensalidade paga representa muito mais do que um valor financeiro: representa anos de luta, renúncias, dedicação e amor. Meu maior sonho é me formar, olhar para meus pais e dizer que todo sacrifício valeu a pena", afirmou Fernanda.

Tallyta, por sua vez, escolheu a psiquiatria. Para ela, a especialidade é um caminho para compreender o ser humano de forma integral. A jovem disse que a escolha da medicina é uma extensão dos valores que aprendeu na banca de pastéis da mãe.

"Escolher a medicina foi uma forma de transformar em propósito tudo o que aprendi dentro de casa: cuidar das pessoas, agir com empatia e fazer a diferença na vida de quem precisa. Cada passo nessa caminhada também representa a história e o esforço da minha família", declarou Tallyta.

A feira como escola

Mesmo com a rotina intensa de estudos, Fernanda e Tallyta continuam ajudando a mãe na feira, tanto no atendimento aos clientes quanto no preparo dos salgados. Para Fernanda, a banca da mãe foi a maior escola que poderia ter. "A feira nos ensinou o valor do trabalho honesto, da perseverança e da humildade. Minha mãe sempre nos mostrou que, com fé em Deus e honestidade, é possível vencer", contou.

A história das três chamou atenção e foi apresentada pelo g1 Tocantins. Marly, mãe e feirante, mantém a esperança de continuar pagando os estudos. Ela revelou que a família busca um financiamento estudantil, pois o valor das mensalidades é alto. Mesmo assim, a feirante agradece a cada cliente.

"Bancamos tudo com pastel até agora. Mas estamos tentando buscar financiamento, porque não é fácil pagar, é caro. Mas Deus tem provido. Coloco o joelho no chão todos os dias para agradecer cada cliente, e para que Ele envie mais clientes para eu conseguir pagar", disse Marly.

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