Estudantes da Ufac protestam pela 3ª vez e fecham viaduto em Rio Branco
Estudantes da Ufac protestam pela 3ª vez e fecham viaduto

Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) voltaram a protestar pela terceira vez em dois dias contra a crise no transporte coletivo de Rio Branco na tarde desta quarta-feira (15). A manifestação ocorreu na parte inferior do Complexo Viário, no centro da capital, e se estendeu até o início da noite.

Reivindicações e promessas não cumpridas

Com cartazes e faixas criticando o sistema de transporte público, os movimentos estudantis cobram medidas imediatas da Prefeitura de Rio Branco para garantir o deslocamento dos estudantes até a universidade. Integrante do Movimento Conexão Estudantil, Danton Moura afirmou que os manifestantes decidiram organizar o novo ato após, segundo ele, não terem recebido uma solução definitiva para os problemas enfrentados pelos usuários do transporte coletivo. Ele foi um dos envolvidos na confusão entre manifestantes e seguranças da prefeitura na segunda-feira (13).

“Nós já fomos retirados pela polícia durante a manifestação e houve a promessa de que 100 ônibus estariam circulando pela cidade. Essa é a segunda vez que essa promessa não é cumprida. A gente quer que o prefeito assuma esse compromisso de forma pública, não em uma reunião fechada”, disse.

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Impacto no trânsito e reação da prefeitura

A manifestação não chegou a provocar congestionamento, mas causou lentidão no trânsito, já que a passagem é crucial no entorno do Centro da capital. O g1 entrou em contato com a assessoria da Prefeitura de Rio Branco e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta.

O ato ocorreu um dia após uma manifestação em frente à Prefeitura de Rio Branco, que terminou em confusão e agressões entre estudantes e servidores municipais na segunda-feira (13). Em nota anterior, a Prefeitura de Rio Branco informou que respeita o ato, mas não compactua com invasão de prédio público e agressões.

Bloqueio na Ufac e reunião do Conselho Universitário

Na manhã desta quarta-feira (15), um grupo dos mesmos estudantes bloqueou a entrada e a saída do campus da Ufac, na BR-364, impedindo a circulação de veículos e provocando congestionamento no acesso à universidade. Segundo o estudante Leonardo Maia, integrante do movimento, o protesto desta terça não estava previsto inicialmente, mas foi motivado pela convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Universitário (Consu) para discutir os prejuízos enfrentados pelos alunos devido à falta de transporte.

Entre as reivindicações está a adoção de um semestre acadêmico atípico, medida que, segundo os estudantes, evitaria prejuízos acadêmicos para quem deixou de frequentar as aulas por dificuldades de locomoção. “Quem não está vindo para a aula não é porque não gosta de estudar. É porque não consegue acessar a universidade, já que não existe transporte coletivo funcionando de forma adequada na cidade”, afirmou.

Promessas antigas e descrença dos estudantes

O estudante também criticou as promessas feitas durante uma reunião realizada ainda na segunda-feira (13), na Reitoria da Ufac, entre representantes do movimento estudantil, da universidade, da RBTrans e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC). Segundo ele, a promessa de ampliação da frota a partir do próximo fim de semana não convence mais os estudantes. “A gente ouve que ‘na semana que vem vai melhorar’ há seis anos. Chegou um momento em que não dá mais para esperar enquanto perdemos o direito de estudar”, afirmou.

Posicionamento da Prefeitura e da Ufac

Em nota divulgada após o episódio, a Prefeitura afirmou não compactuar com invasão de prédio público e agressões. Segundo o Executivo, uma comissão de estudantes já tinha horário marcado para ser recebida quando parte dos manifestantes tentou entrar à força no prédio. Ainda na segunda-feira, representantes da Prefeitura, da RBTrans, da Reitoria da Ufac, do Tribunal de Contas do Estado e do movimento estudantil participaram de uma reunião para discutir alternativas emergenciais para o transporte coletivo. Durante o encontro, a RBTrans informou que iniciou tratativas com a empresa responsável pelo serviço para ampliar, de forma emergencial, a frota das linhas que atendem a Ufac e o Instituto Federal do Acre (Ifac), principalmente nos horários de maior demanda.

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Também na segunda-feira, a Ufac divulgou uma nota de repúdio às agressões registradas durante o protesto em frente à prefeitura. A universidade afirmou que a mobilização estudantil representa uma reivindicação legítima por condições dignas de acesso e permanência no ensino superior e destacou que é inadmissível qualquer episódio de violência contra estudantes durante o exercício do direito à manifestação. A instituição também reiterou o compromisso com a defesa dos direitos humanos, da integridade da comunidade acadêmica e da busca por soluções para os problemas enfrentados pela população acreana em relação ao transporte coletivo. “A Universidade solidariza-se com os estudantes envolvidos e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, da integridade de sua comunidade acadêmica e da construção de soluções para os problemas que afetam a população acreana”, complementou.