Alagoas foi o estado que mais alfabetizou detentos em 2024, com 18,93% das pessoas privadas de liberdade aprendendo a ler e escrever, segundo dados do Sistema Nacional de Informações Penais (Sisdepen). No total, 992 dos 5,2 mil presos no estado foram alfabetizados, um avanço significativo considerando que há dois anos Alagoas tinha a maior população analfabeta encarcerada do país.
O projeto de alfabetização começou em outubro de 2023 nas unidades prisionais alagoanas. As aulas são ministradas por detentos que já sabem ler e escrever, supervisionados por pedagogos. “Temos como monitores os próprios reeducandos, que são capacitados através de aulas interativas”, explicou Ismael Luiz, coordenador do projeto da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris).
Alagoas também se destaca como o segundo estado com maior percentual de detentos matriculados na educação formal, com 46,6%, atrás apenas de Rondônia (84,49%). Além disso, lidera o ranking de remição de pena pela leitura, com mais de 21,5 mil atividades educacionais aplicadas para 20,9 mil homens e 627 mulheres.
Os reeducandos podem reduzir a pena participando de três modalidades educacionais: educação regular em escolas prisionais, práticas educativas não escolares e leitura. A coordenadora pedagógica Thaís Bandeira destacou que, embora a redução da pena seja a principal motivação, muitos descobrem o prazer da leitura. “Quando eles descobrem o prazer da leitura, eles começam a se interessar e não querem mais ler só para reduzir a pena”, afirmou.
O projeto tem transformado o ambiente prisional em um espaço de aprendizado. Clarice Damaceno, gerente de Educação e Cidadania da Seris, ressaltou que aprovações em exames como Encceja e Enem mostram o impacto dos estudos não formais nas certificações formais. “A sensação é de dever cumprido, mas ainda tem muito a ser feito”, concluiu.



