Investimento milionário e paralisação súbita
Inaugurado em dezembro de 2024 com pompa e um investimento de R$ 3 milhões em recursos públicos, o "Mundo Encantado dos Bichos de Pelúcia", em Tabatinga (SP), fechou as portas antes de completar um mês de funcionamento. Considerado o primeiro Zoológico de Bicho de Pelúcia do Brasil, o parque temático operou por menos de 30 dias e, desde janeiro de 2025, está com as atividades suspensas.
A interrupção das visitas foi determinada pela Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, que apontou pendências nas obras e ausência de condições adequadas para atendimento ao público na época da inauguração. Segundo a pasta estadual, as intervenções sob sua responsabilidade foram concluídas e o espaço está apto a operar, cabendo agora à Prefeitura de Tabatinga a gestão e a reabertura do local.
Deterioração visível e apelo da população
Sem receber visitantes há cerca de um ano e meio, a estrutura já apresenta sinais evidentes de desgaste. Imagens recentes mostram a fachada e parte da estrutura externa descascando e se deteriorando com o tempo e a falta de manutenção regular. A cidade, conhecida nacionalmente como a "Capital dos Bichos de Pelúcia", depositava no parque a esperança de um motor para o turismo e o comércio local.
Moradores lamentam o abandono do patrimônio público. A comerciante Ana Cristina Mochetti afirmou à TV TEM que a abertura "traria turismo e ajudaria na divulgação do nome da cidade". O enfermeiro Paulo Janazi reforçou a importância do espaço: "É a terra dos bichos de pelúcia, então seria muito importante que o espaço voltasse a funcionar".
Prefeitura aponta falta de repasses estaduais
Em nota, a Diretoria de Cultura e Turismo de Tabatinga informou que os recursos do Município de Interesse Turístico (MIT) destinados à finalização da obra não foram liberados pelo Estado nos anos de 2024 e 2025, impedindo o avanço das etapas necessárias para sua conclusão. A diretora de Cultura do município declarou que a atual administração busca parcerias com a iniciativa privada e novos recursos financeiros para viabilizar a reativação e o custeio operacional do parque.
Estado nega atraso e rebate versão municipal
A Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) negou a informação da prefeitura. Em nota, afirmou que o convênio firmado previa apenas a construção do espaço e a tematização de alguns cenários, e que o Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur) não celebrou outros convênios para aquisição de mobiliário ou itens necessários ao funcionamento. A secretaria também garantiu que não houve atraso nos repasses referentes a convênios já firmados com o Estado.
O impasse entre as administrações municipal e estadual mantém o parque fechado, enquanto a estrutura se deteriora. A indefinição sobre a reabertura afeta as expectativas dos moradores e do comércio local, que aguardam uma solução para que o primeiro zoológico de pelúcias do Brasil volte a operar.



