Ventos de 160 km/h devastam Guariba (SP): 99% ficaram sem luz
Ventos de 160 km/h devastam Guariba: 99% sem luz

O gerente de operações da CPFL Paulista, Clauber de Marchi, afirmou na segunda-feira (27) que Guariba, município de 37,4 mil habitantes na região de Ribeirão Preto, foi a cidade mais afetada pelos ventos do temporal severo da última sexta-feira (24). Rajadas de até 160 km/h praticamente paralisaram a cidade, deixando 16 mil unidades consumidoras sem energia elétrica — o equivalente a 99% da área urbana.

Reconstrução da rede elétrica

Segundo Marchi, 54 torres de subtransmissão caíram na região, algo inédito na área de concessão da CPFL Paulista. “São 72 horas após o início do temporal, praticamente é uma reconstrução de rede que está tendo que se fazer no município de Guariba. Foi de fato o mais atingido com relação à intensidade do temporal”, declarou. Até a manhã de segunda-feira, 85% do serviço já havia sido restabelecido, com cerca de 40 postes substituídos. As equipes pesadas estão finalizando os trabalhos, enquanto as equipes leves atuam para restabelecer pontualmente a energia para todos os munícipes.

Danos generalizados e impacto social

O prefeito Mançano Junior (PSD) informou que aproximadamente 70% das residências foram danificadas e o parque industrial foi devastado. A prefeitura montou abrigos improvisados e uma cozinha industrial para atender os desabrigados. As aulas na rede municipal estão suspensas até quarta-feira (29). O fornecimento de água já foi normalizado. A estimativa inicial é de que a reconstrução do município custe R$ 50 milhões. Guariba é uma das seis cidades da região que terão reconhecimento sumário de estado de emergência pela União, agilizando a liberação de verbas para ajuda humanitária e reconstrução.

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Mobilização de moradores

Na Vila Roca, uma das áreas mais prejudicadas, moradores e equipes da prefeitura trabalham desde sexta-feira na limpeza e remoção de entulhos e restos de árvores. A dona de casa Ana Maria Arcilano Venancio teve o telhado destruído. “Foi desesperador. Eu não sabia o que fazer. Eu só pensei em socorrer meus netos. Eu perdi meus colchões, guarda-roupa, sofá precisou jogar fora o estrago foi demais”, relatou. O aposentado Djalma Pereira da Silva, que revende peixes e leite, improvisou com gelo para não perder os produtos: “Comprei gelo no posto, fui buscar gelo para socorrer, não perder e ter prejuízo. O prejuízo ninguém ajuda a gente, depende da gente.”

Prejuízos no comércio e indústria

No bairro Cohab I, todos os barracões de uma empresa de reciclagem desabaram. “Foi um prejuízo grande, destelhou tudo, caiu muro. Tomara que não tenhamos perdido as prensas”, disse a recicladora Talita Helena de Sousa. No Centro, a estrutura destruída de um galpão do agronegócio ainda permanecia sobre casas vizinhas na segunda-feira. O temporal, que atingiu também outras cidades da região, deixou um rastro de destruição que exigirá esforços conjuntos para a recuperação total de Guariba.

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