Queda de ponte no AC quadruplica tempo de professora até escola
Queda de ponte no AC quadruplica tempo de professora até escola

Após dez dias do desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, no interior do Acre, a professora Fátima Bahia, de 46 anos, é uma das centenas de moradores que tiveram a rotina alterada pela falta da passagem. Antes, o trajeto de sua casa até a escola Raimundo Magalhães, onde leciona, no Segundo Distrito da cidade, passou de 10 para 40 minutos diariamente, segundo ela. O trajeto, antes feito de carro ou moto atravessando a ponte, agora precisa ser feito de catraia, além de ser necessário descer e subir barrancos para conseguir chegar até a escola.

Rotina alterada

A professora conta que começou a dar aula na unidade de ensino no início do ano. Ela enfrenta o novo percurso de segunda a sexta-feira para chegar no horário ao trabalho. Segundo ela, utilizar a travessia pelo rio ainda é a alternativa mais viável financeiramente. "Eu saio de casa às 6h20 por conta da queda da ponte. O acesso ficou muito mais difícil", avalia.

A educadora também compartilha que chegou a pensar em desistir de atuar na escola após o desabamento da ponte. "No começo eu fiquei muito triste. Até pensei em desistir de trabalhar aqui no Segundo Distrito por conta do acesso, que ficou muito mais demorado", lamenta.

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Dificuldades diárias

Nos primeiros dias após a queda da ponte, a falta de informações sobre como seria o deslocamento causou atrasos e insegurança entre os profissionais da escola. Além do maior tempo de deslocamento, que chegou a quadruplicar, Fátima destaca que as dificuldades enfrentadas diariamente durante a travessia também levam a um esforço maior. "É uma tarefa muito difícil. As condições são precárias. Pode acontecer um acidente. É desumano o professor ter que trabalhar nessas condições todos os dias. É um trajeto cansativo física e emocionalmente", critica.

Mesmo diante de tantos obstáculos, ela segue encarando a jornada diária. Para a professora, o contato com os alunos é o que dá sentido a tanto esforço. "Acaba valendo a pena. Eu sou professora por amor. Quando chego aqui e encontro meus alunos, fico satisfeita. Mas o trajeto é muito difícil", diz.

Outros moradores afetados

A situação não afetou somente a vida de Fátima, mas de diversos trabalhadores da região, que dependem da travessia para garantir o sustento. Giliard da Silva, de 42 anos, que trabalha como carregador no porto da cidade e passou a transportar cargas pesadas pelos barrancos íngremes e escorregadios da região. O trabalhador destaca que o risco de acidentes é constante durante as caminhadas. "Tá ruim. Tem gente que mora para cima, outros para baixo, e fica tudo empacado. Todo dia é esse trabalho. É um perigo", resume.

Quem também enfrenta dificuldades é Antônio Jocicleudo, de 29 anos, que está em recuperação de uma cirurgia. Ele conta que precisa atravessar o trecho, pelo menos, seis vezes por dia e, em muitas delas, acompanhado da sua filha e utilizando uma bicicleta. "O sonho de todo mundo aqui era essa ponte. Não durou nem dois anos e voltou toda a dificuldade de antes", lamenta.

Medo constante

Além dos transtornos na mobilidade da população, os moradores de áreas próximas ao local do desabamento também convivem com o receio de novos deslizamentos na região. A moradora do Segundo Distrito da cidade, Marinete Silva, de 50 anos, compartilhou que ouviu o barulho no momento em que a ponte caiu. A residência dela é em uma das áreas onde foram identificadas rachaduras antes da interdição do local. “A gente pensou que ia levar as casas com tudo. Tenho medo de dormir e acordar levando tudo. Até saímos de casa para dormir na casa de vizinhos. A gente tem criança também”, detalha.

Segundo a moradora, a preocupação aumenta principalmente no período de cheia do Rio Iaco. "Todo inverno a gente fica debaixo d'água. É uma sensação horrível ficar com medo dentro da própria casa", pontua.

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