Poeira de minério e barulho afetam moradores de Porto Esperança em Corumbá
Poeira de minério e barulho em Porto Esperança

A rotina dos moradores do distrito de Porto Esperança, em Corumbá, Mato Grosso do Sul, mudou drasticamente após a chegada de uma estrada que, embora tenha acabado com o isolamento da comunidade, trouxe um aumento significativo no fluxo de caminhões de minério. A população local relata que a poeira constante e o barulho intenso têm causado transtornos e preocupações.

Comunidade isolada por décadas

Localizada no Pantanal sul-mato-grossense, Porto Esperança cresceu ao redor da ferrovia. Durante muitos anos, o único acesso ao distrito era por trem. Com o fim das operações ferroviárias, a chegada só era possível por barco. Atualmente, o tráfego intenso de bitrens ocorre durante todo o dia, pois a via é utilizada para escoar parte da produção de minério de ferro extraído na região de Corumbá.

Impactos na saúde e no cotidiano

A movimentação de caminhões contrasta com a rotina tranquila da comunidade. Moradores relatam que a poeira vermelha, proveniente do minério, se espalha pelas casas, telhados e ruas. Em muitos casos, o uso de máscaras ao sair de casa tornou-se um hábito. O piloteiro José Domingos afirma que ficou nove dias internado em um CTI em Corumbá devido a um problema pulmonar, que ele acredita ser consequência da poeira. "Hoje não é mais tanta poeira porque estão molhando, mas no começo cada carreta levantava aquela poeira e vinha tudo para o lado da comunidade", detalha.

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Além dos problemas respiratórios, os moradores reclamam do impacto da atividade mineradora na pesca e no turismo. A movimentação de embarcações afastou os peixes e reduziu a presença de turistas. "A poeira a gente não vê, ela vem pelo ar, mas prejudica a saúde. Tem hora que você vê, fica vermelho de poeira. Parece até um vendaval", comenta outro piloteiro.

Denúncia ao Ministério Público

Diante da situação insalubre, a Associação de Moradores de Porto Esperança denunciou o caso ao Ministério Público Estadual e Federal. Imagens anexadas à denúncia mostram móveis e eletrodomésticos cobertos por pó de minério, além da estrada tomada por caminhões. O advogado Matheus Vianna relata: "Ao chegar na comunidade, nos deparamos com uma situação muito triste. Encontrávamos pó de minério nos móveis, nos quartos, nas camas e até na água que as pessoas consumiam. Além disso, os moradores reclamam muito do barulho das máquinas e carretas carregadas diuturnamente."

Após a denúncia, caminhões-pipa passaram a molhar a estrada para reduzir a poeira. Ainda assim, os moradores afirmam que o problema do barulho e do tráfego intenso persiste. "Acreditamos que é possível uma convivência harmônica da mineradora com os moradores, mas precisamos adotar medidas para mitigar os impactos", diz o advogado.

Resposta da mineradora

A mineradora LHG Mining, responsável pela atividade, informou que mantém diálogo com a comunidade e adota medidas para reduzir os impactos. Entre as ações estão a ampliação da umidificação das vias com quatro caminhões-pipa operando 24 horas por dia e a instalação de um sistema de aspersão de água em quatro quilômetros da estrada. A empresa afirma que as medidas também geraram empregos para moradoras da região, que foram capacitadas e contratadas para operar os equipamentos.

Posição da Secretaria de Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá informou que atende os casos de problemas respiratórios conforme a demanda, mas até o momento não há comprovação de relação direta entre os sintomas e o pó de minério. Uma conclusão depende de estudos técnicos específicos. A pasta segue monitorando a situação de saúde da comunidade.

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