Médico critica organização da prova onde maratonista de 50 anos morreu em SP
Médico critica organização de prova após morte de atleta em SP

O médico nutrologista Miguel Carvalho Santacreu, do Hospital Albert Einstein, publicou um vídeo nas redes sociais criticando a organização da SP City Marathon pela demora no atendimento ao publicitário Júlio Barreto, de 50 anos, que morreu após sofrer uma parada cardíaca ao completar a meia maratona no último domingo (26) na Zona Sul de São Paulo.

Primeiros socorros e espera pelo desfibrilador

Segundo Santacreu, que também participava da prova de 21 km, ele deixava o evento quando viu Barreto caído no chão cercado por outros corredores. Médicos que estavam na prova iniciaram as manobras de reanimação, mas a ambulância da organização levou cerca de 15 minutos para chegar ao local, e sem o Desfibrilador Externo Automático (DEA). "A primeira ambulância chegou com uma equipe de bombeiros, e sem nenhum médico. A gente solicitou um DEA, e eles falaram que naquela ambulância não tinha", relatou o médico. O DEA só chegou após o 15º minuto, segundo Santacreu, que afirma ter uma médica controlando o tempo.

"Quando chegou o DEA, colocamos no paciente, e o DEA sugeriu o choque. Chocou, ele não voltou e continuamos com a compressão. Por ali foi mais uns quatro choques até que chegou uma outra ambulância, com um médico coordenador", acrescentou. O médico destacou o cansaço dos socorristas, que haviam acabado de correr 21 km. "A gente fez um revezamento para fazer a compressão cardíaca, que já é um ato que cansa bastante. Então, depois de uma prova de 21km, estava todo mundo muito cansado, mas estava dando todo mundo o seu melhor ali."

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Críticas à resposta da organização

Santacreu disse que relutou em gravar o vídeo para não criticar os profissionais de saúde, mas apontou "várias pequenas falhas" que precisam ser sanadas. "O que me irritou muito, de verdade, foi a resposta do evento, que demorou muito para chegar a assistência e a nota de pesar que eles postaram, falando que desde o começo eles tinham um médico deles fazendo tudo certinho, quando não foi o que eu vivenciei." A Iguana Sports, organizadora da prova, foi procurada pelo g1 mas não se manifestou. Em nota divulgada anteriormente, a empresa afirmou que Barreto foi "prontamente atendido pela equipe médica do evento" e que as manobras de reanimação começaram ainda no local.

Grupo de trabalho da Prefeitura

Na terça-feira (28), dois dias após a morte de Júlio Barreto, a Prefeitura de São Paulo publicou uma portaria criando um grupo de trabalho para elaborar um protocolo de segurança e saúde para corridas de rua e eventos esportivos em vias públicas. O grupo, que terá 20 dias para apresentar uma proposta, deverá definir parâmetros mínimos de atendimento médico-emergencial e responsabilidades entre órgãos públicos e organizadores. A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer também ficará encarregada de organizar o calendário das corridas.

Perfil do atleta

Júlio Barreto era gerente de acesso ao mercado na Danone, com experiência em oncologia e nutrição. Atleta amador, começou a correr em 2021 e também praticava ciclismo e trail run. Era membro do grupo Vila Leopoldina Road Runners, que prestou homenagem nas redes sociais. "Hoje nos despedimos de alguém que fez parte da nossa equipe, compartilhou treinos, desafios, conquistas e deixou sua marca entre todos nós", afirmou o grupo. Amigos e colegas lamentaram a perda, destacando a dedicação de Barreto ao esporte e ao trabalho com pacientes oncológicos.

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