Infraestrutura urbana digital avança, mas investimentos são insuficientes
Infraestrutura urbana digital carece de investimentos

A infraestrutura urbana brasileira não está acompanhando o ritmo acelerado da digitalização. Com investimentos anuais de aproximadamente R$ 250 bilhões, o país precisaria mais que dobrar esse volume para modernizar as redes essenciais, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O déficit de atualização compromete não apenas a eficiência econômica, mas também serviços críticos como a saúde.

Investimentos insuficientes para a demanda digital

De acordo com estudo da CNI, o Brasil investe cerca de R$ 250 bilhões por ano em infraestrutura, valor que representa menos da metade do necessário para acompanhar as demandas da transformação digital. A entidade estima que seriam necessários mais de R$ 500 bilhões anuais para modernizar redes de energia, telecomunicações, transporte e saneamento, setores que formam a espinha dorsal da digitalização urbana. O atraso nos investimentos gera gargalos que afetam diretamente a competitividade do país e a qualidade de vida da população.

Impacto na segurança e na produtividade

A falta de infraestrutura digital robusta tem consequências reais. No setor de saúde, por exemplo, hospitais dependem de redes estáveis para operar sistemas de prontuário eletrônico, telemedicina e monitoramento de pacientes. José Marcelo de Oliveira, diretor-presidente do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, destaca: 'Infraestrutura confiável é um componente direto da segurança do paciente'. Sem investimentos adequados, o risco de falhas em equipamentos conectados e perda de dados aumenta, comprometendo tratamentos e diagnósticos.

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Setores mais afetados pela defasagem

Os setores de energia e telecomunicações são os que mais sentem a pressão da digitalização. A demanda por conectividade 5G, redes de fibra óptica e smart grids exige atualização constante. O estudo da CNI aponta que a modernização das redes elétricas, por exemplo, pode reduzir perdas em até 30%, mas o baixo ritmo de investimentos impede que esses ganhos sejam concretizados. No transporte, sistemas de mobilidade inteligente dependem de sensores e dados em tempo real, que requerem infraestrutura de suporte atualizada.

O papel do setor público e privado

Para reverter o cenário, a CNI defende parcerias entre governo e iniciativa privada, além de linhas de financiamento específicas para projetos de infraestrutura digital. A entidade também sugere a criação de um plano nacional de modernização, com metas claras para os próximos dez anos. Sem ações coordenadas, o Brasil corre o risco de ampliar o fosso digital entre regiões e comprometer a competitividade internacional.

A urgência do tema fica evidente com os dados: enquanto países da OCDE investem em média 3,5% do PIB em infraestrutura, o Brasil aplica cerca de 2%. A diferença se reflete na qualidade dos serviços e na capacidade de inovação. Para especialistas, o momento é de acelerar os investimentos para que a infraestrutura deixe de ser um freio ao desenvolvimento digital.

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