Conselho proíbe Flipoços em parque tombado de Poços de Caldas a partir de 2027
Flipoços proibido em parque tombado de Poços de Caldas

O Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico de Poços de Caldas (Condefact) decidiu proibir a realização do Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços) no Parque José Afonso Junqueira a partir de 2027. A medida baseou-se em um relatório da Prefeitura que apontou irregularidades no uso do espaço durante as últimas edições do evento.

Irregularidades identificadas e tombamento do parque

Nos últimos três anos, o parque sediou o Flipoços. Durante a Feira do Livro de 2026, a Secretaria Municipal de Turismo realizou uma vistoria e encontrou situações consideradas irregulares, como cadeiras sobre o gramado, tendas de apoio em áreas verdes e instalações elétricas fora das normas de segurança. A decisão do Condefact também considerou que o Parque José Afonso Junqueira integra o conjunto hidrotermal e hoteleiro de Poços de Caldas, tombado como Patrimônio Cultural do Estado em abril de 2026.

Defesa da organizadora

A idealizadora do Flipoços, Gisele Ferreira, rebateu os apontamentos e afirmou que a estrutura do evento é planejada para preservar o espaço. "Nós somos criteriosos com a nossa montagem. A nossa montagem tem uma beleza estrutural. As tendas são muito bem colocadas, os pés da tenda são recobertos. Não furamos o chão, colocamos peso para segurar todas as tendas. Todos os pesos são recobertos com uma laica colorida até para ficar bonito. O palco sulfuroso que acontece nesse parquinho aqui nesse jardim, nesse lado onde estamos, ele é completamente harmônico com o local. O fato de ter cadeira em cima da grama é necessário para o público. Em qualquer lugar do planeta se usa a grama para a ocupação qualificada, e que é o que nós fazemos", disse.

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Diálogo e busca por solução

Diante da decisão, Gisele procurou representantes do Condefact, da Prefeitura e da Câmara Municipal. O presidente da Câmara, Douglas Dofu (União Brasil), afirmou que questionou o Executivo sobre os motivos da proibição. Em resposta, o secretário municipal de Planejamento, Hércules Tassinari, reconheceu a importância cultural do Flipoços, mas informou que a manifestação do Condefact se baseou em análises técnicas sobre as condições de uso do parque nos últimos anos, especialmente durante a realização do festival.

Douglas Dofu defendeu a abertura de diálogo entre as partes. "Nós não entendemos essa situação porque há outros eventos, inclusive realizados pela Prefeitura Municipal, nós temos aí o Natal, nós temos o próprio Carnaval também, que são eventos grandiosos, que também geram ali muitas pessoas em cima do gramado, por exemplo. Então, por isso, nós ontem mesmo, à tarde, nós já falamos com o Secretário de Turismo, que se propôs a buscar uma solução conjunta com o Condefact, envolver todos os atores envolvidos nessa situação em uma mesa de diálogo justamente para a gente poder buscar o consenso", afirmou.

Contrapartidas financeiras e taxa de uso

Outro ponto levantado pela prefeitura foi a ausência de contrapartidas financeiras destinadas à preservação do parque. A organizadora do Flipoços, entretanto, afirmou que somente a taxa paga pela utilização do espaço em 2026 ultrapassou R$ 23 mil. Gisele Ferreira disse que continuará defendendo a permanência do evento no local e tentará reverter a decisão. "Nós não temos como negar a nossa formação cultural, que é da literatura, que é em cima da literatura, e muito menos negar a realização e a concretização do Flipoços no centro histórico que dá nome à nossa cidade, que é uma cidade literária", disse.

Posicionamento do Condefact

Em nota, o Condefact afirmou que não há favorecimento nem desfavorecimento a qualquer evento ou pessoa. Segundo o conselho, cada solicitação é analisada individualmente, levando em conta características da proposta, período de realização, tempo de ocupação, estruturas previstas, impactos sobre o patrimônio e medidas de mitigação apresentadas. O órgão também esclareceu que os valores pagos pelo Flipoços dizem respeito à utilização de espaço público municipal e não possuem destinação específica para a conservação do Parque José Afonso Junqueira.

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