Flanelinhas cobram até R$ 30 por vaga no Rio mesmo com novo estacionamento digital
Cobrança abusiva de flanelinhas persiste no Rio

Apesar do projeto-piloto do Rio Rotativo Digital, novo sistema de estacionamento rotativo tarifado da cidade, motoristas que saem de carro para passear no fim de semana no Rio de Janeiro continuam enfrentando uma prática espalhada por diferentes regiões: a cobrança irregular de flanelinhas por vagas em vias públicas. Neste domingo (26), a reportagem do Bom Dia Rio esteve em vários pontos turísticos com grande movimentação de veículos e flagrou guardadores informais cobrando valores muito superiores à tarifa oficial da prefeitura, sem apresentar qualquer talão ou autorização.

Cobrança abusiva em São Cristóvão

A primeira parada foi nos arredores da Feira de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão, na Zona Norte. Logo na chegada, a equipe encontrou carros estacionados sobre calçadas e diversos flanelinhas abordando motoristas. Um deles ofereceu uma vaga por R$ 10. "Dez merréis, patrão", disse o guardador ao ser questionado sobre o preço. Quando a reportagem perguntou se havia talão, o homem percebeu que estava sendo gravado e deixou o local. Pouco adiante, outro flanelinha apresentou uma nova oferta: "Sete merréis, só. Cinco merréis", respondeu após negociar o valor. Questionado sobre a possibilidade de reboque, ele afirmou: "A gente tá de boa".

Na Quinta da Boa Vista, valor de R$ 30

A equipe seguiu para a região da Quinta da Boa Vista, próximo ao BioParque. Inicialmente, um guardador afirmou que não cobrava valor fixo e que apenas recebia "uma colaboração". "A gente não pede não. A gente pede uma colaboração de ajuda porque somos credenciados", afirmou. Pouco depois, o mesmo homem conduziu a reportagem até uma vaga e apresentou uma proposta diferente: R$ 30 para estacionar. "Trinta merrézinhos", disse ele. Ao ser questionado sobre a existência de talão, o guardador não apresentou nenhum documento. Em seguida, garantiu que o local não oferecia risco de multa ou remoção do veículo. Conforme a negociação avançava, o valor foi caindo: dos R$ 30 iniciais, passou para R$ 20 e chegou a R$ 10.

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"Ele deu porque ele quis"

Em frente ao Consulado dos Estados Unidos, no Centro do Rio, a reportagem presenciou um casal entregando dinheiro a um flanelinha. Questionado, o homem negou que realizasse cobranças. "Ele deu porque ele quis", afirmou. Logo depois, outro casal, que estava visitando o Rio vindo de Minas Gerais, relatou ter pago R$ 30 para estacionar o carro.

Flanelinha cita guardas municipais

Na Glória, na Zona Sul do Rio, durante uma feira livre, um guardador voltou a cobrar R$ 30 por uma vaga. "Aqui tá trinta, tia", disse. Ao ser perguntado sobre a existência de talão, respondeu: "Talão não." O homem ainda afirmou que pedia aos guardas municipais que não multassem os carros estacionados sob sua supervisão. "Não vai ter multa não. Nós pede pros guardas municipal chefe pra nós trabalhar aqui." Na sequência, fez uma declaração que pode indicar um suposto esquema irregular: "Nós dá 20 reais de cada um pra nós poder trabalhar." A equipe registrou a presença de agentes da Guarda Municipal na região.

Rio Rotativo Digital ainda não cobre toda a cidade

Para tentar reduzir a atuação de flanelinhas clandestinos, a Prefeitura do Rio iniciou a implantação do Rio Rotativo Digital. O sistema, atualmente em fase de testes em sete áreas do entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, substitui o talão de papel por pagamento eletrônico realizado pelo aplicativo "Já É". A tarifa é de R$ 2 por período de duas horas, com possibilidade de renovação até o limite máximo de seis horas. Longe das áreas onde o novo sistema está sendo testado, motoristas continuam relatando cobranças abusivas, intimidações e desordem nas ruas. Em outro flagrante obtido pela reportagem na Rua do Russel, um guardador chegou a se pendurar em um carro em movimento.

Guardas Municipais multaram 344 veículos

A Guarda Municipal informou que, somente neste fim de semana, 344 veículos foram multados por estacionamento irregular nos locais mostrados pela reportagem. Sobre as denúncias envolvendo agentes, a corporação afirmou que possui regulamento interno e que qualquer desvio de conduta comprovado será apurado e punido com rigor.

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