Centenária que mora sozinha e dança forró inspira gerações no interior de SP
Centenária que mora sozinha e dança forró inspira gerações

No Dia dos Avós, celebrado neste domingo (26), a história de Otília Soares de Lima, de 100 anos, moradora de Martinópolis (SP), ganha destaque. A matriarca vive sozinha, mantém o hábito de ir ao forró e preserva sua autonomia com vitalidade e alegria. Embora conte com o apoio de uma cuidadora durante a noite, o neto Marcelo Alexandre Silva, pedagogo e bacharel em Direito, está presente diariamente e optou por permanecer na cidade para acompanhar a rotina da avó.

Trajetória de vida e raízes

Nascida em Urandi, interior da Bahia, Otília emigrou para São Paulo há mais de oito décadas. Trabalhou em lavouras e fazendas na região de Martinópolis, município que tem 87 anos de emancipação – mais novo que a própria moradora. Mulher preta e analfabeta, ela sustentou a família e garantiu a formação dos descendentes. Marcelo, orgulhoso, afirma: “Sou pós-graduado, mas nunca esqueço minhas raízes. Minha avó é uma mulher sábia, com um abraço que acolhe e uma gargalhada que se ouve longe. Ser neto dela é uma honra.”

Família numerosa e união

A centenária tem cinco gerações vivas: 10 filhos, 26 netos, 44 bisnetos e uma tataraneta. Marcelo descreve o privilégio de conviver com ela: “Eu amo a minha família. Meus pais moram em Rio Claro, pertinho de Piracicaba, e a minha avó ficou. Eu fiquei com ela, 'o neto criado com vó' e, para mim, é um privilégio estar com ela. Eu aproveito todos os dias.”

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Segredo da longevidade

A receita para a saúde aos 100 anos combina atividade física e convívio social. Dançarina de forró desde os 15 anos, Otília garante que o movimento evita que o corpo “trave”. Ela diz: “Eu danço a música inteirinha. As pernas melhoram, porque se a gente fica parada, travam. Se fica deitada muito tempo, na hora de levantar elas não respondem. Só dei uma pausada no forró nos últimos meses por causa do frio.” Mesmo em reuniões familiares, ela faz questão de realizar tarefas, recusando excesso de mimos. “Ela quer pôr a mão na massa do jeito dela, pegar a vassoura e se sentir útil”, explica o neto.

Lições para as novas gerações

Para os mais jovens, a centenária deixa um conselho simples: “Se divirta bastante e tenha bastante amizade. Eu estou velha, mas tenho amigos.” Com mais tempo de passado do que de futuro ao lado da avó, Marcelo valoriza o presente: “Quando ela se for, eu me preocupo lá na frente. Hoje, eu me preocupo com ela viva.” A história de Otília Soares de Lima é um exemplo de resiliência, independência e alegria que atravessa gerações no interior paulista.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar