Casal que deu nome a chafariz em Boituva morreu com 20 dias de diferença
Casal que deu nome a chafariz em Boituva morreu com 20 dias

Em Boituva, no interior de São Paulo, o amor de Terezinha e Augusto Mescolotto atravessou mais de cinco décadas e inspirou o nome popular de um chafariz conhecido como 'Fonte do Amor'. O casal faleceu com apenas 20 dias de diferença em 2007, e oito anos depois recebeu uma homenagem oficial que batizou a Fonte de Águas Coloridas na Praça Coronel Antônio Franco.

Os 20 dias que separaram a morte do casal

A neta do casal, Eni Angela de Oliveira, de 43 anos, contou ao g1 que a avó Terezinha sofreu um AVC e ficou internada por uma semana antes de falecer. 'Minha avó ficou bem debilitada depois de sofrer um AVC. Ela ficou internada por uma semana, depois disso se despediu', relembrou. Vinte dias depois, Augusto também morreu, sem apresentar comorbidades. 'Meu avô não tentou seguir e dizia todos os dias que já estava indo encontrá-la. Quando ele começou a passar mal, não achei que fosse sério. Nunca imaginei que ele fosse se despedir de verdade. No dia 18 de agosto ele também se foi', disse Eni.

A família foi pega de surpresa pela morte de Augusto, que não tinha problemas de saúde. 'Minha avó foi natural, pois sabíamos que ela não estava bem. Foram 20 dias de diferença, estávamos um 'caco'. Eu mesma não suportei', comentou a neta.

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A história de amor que começou na igreja

Terezinha e Augusto se conheceram na Igreja Matriz de Boituva, localizada em frente à praça onde hoje está o chafariz. Ambos faziam parte do coral e namoraram por anos antes de se casarem. 'O meu avô sempre foi apaixonado por ela, com muito carinho, beijo nas mãos. Ele segurava a mão dela durante as refeições. Minha avó era um pouco mais tímida nessas demonstrações, mas mesmo assim, sempre foi o grande amor da vida dela', compartilhou Eni.

Para a neta, a relação dos avós era um exemplo de companheirismo. 'Não eram só um casal. Em convívio, era um amor que transbordava. É o amor como deve ser, com respeito, dedicação, paciência, de mãos dadas e olho no olho', afirmou.

A fonte que se tornou símbolo do amor

De acordo com a Câmara Municipal de Boituva, a praça passou por diversas intervenções urbanísticas ao longo dos anos. O antigo chafariz foi soterrado durante obras, e uma nova estrutura foi erguida no mandato da ex-prefeita Assunta Labronici. A obra ficou anos sem denominação oficial, até que, durante os preparativos para o centenário da Paróquia São Roque, surgiu a proposta de nomeá-la.

Eni, que mora no Rio de Janeiro desde o falecimento dos avós, teve a iniciativa de homenageá-los. Ela contactou um vereador por rede social, que rapidamente aceitou a ideia. 'Perguntei para um amigo e ele me indicou um vereador. Não tínhamos nenhuma proximidade. Eu entrei em contato por rede social e quando perguntei a ele sobre a possibilidade de fazer uma homenagem aos meus avós, respondeu que a ideia era ótima e ia protocolar o pedido', revelou.

O vereador se reuniu com o então pároco, padre Edson Dáros, que apoiou a homenagem. 'Viram uma oportunidade na inauguração da fonte, que já tinha data prevista, acontecendo na comemoração do centenário da Igreja Matriz. O padre achou justa a homenagem em dar o nome da fonte aos meus avós', contou Eni.

A lei que eternizou o casal

Em 24 de setembro de 2015, o prefeito Edson José Marcusso sancionou a Lei Municipal nº 2.535/2015, que denominou a fonte como 'Seu Augusto Mescolotto e Dona Terezinha de Souza Mescolotto'. Cinco meses depois, a nova fonte foi inaugurada, com a presença da família. 'Representou o reconhecimento a dois cidadãos que fizeram tanto pela sociedade e foram homenageados de forma grandiosa', afirmou Eni.

O diácono Almir Melaré, da Paróquia São Roque, lembrou a dedicação do casal à comunidade católica. 'Era um casal de extremo amor e um respeito pelo outro. Ele dedicou a vida dele, mais de 15 anos, só como sacristão da igreja. Eles sempre foram muitos zelosos com os objetos da igreja. O matrimônio daquele casal era um reconhecimento da comunidade católica, eles viviam o sacramento do amor.' Sobre a morte próxima, Almir comentou: 'Eles eram unha e carne. E ele estava bem, aparentemente. Então, foi uma tristeza que tomou conta dele. Eu acredito que ele não suportou a ausência dela.'

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Eni concluiu que a homenagem trouxe à família a sensação de dever cumprido. 'O meu avô acharia um absurdo, pois sempre foi discreto. Minha avó ficaria orgulhosa, faria um vestido novo e passaria perfume para sair na foto.'