Capivaras 'invadem' ruas em São João da Boa Vista e geram protesto
Capivaras 'invadem' ruas em São João da Boa Vista, SP

Moradores do Recanto do Lago, em São João da Boa Vista (SP), seguem cobrando providências contra a circulação de capivaras fora do lago do bairro. O problema, que já dura pelo menos um ano, foi registrado novamente pela EPTV, afiliada da TV Globo. Durante o dia, os animais ficam esticados nas pedras; à noite, atravessam ruas e calçadas, como mostra vídeo feito por uma moradora.

"Olha a quantidade de capivaras que estão andando aqui nas ruas, nas calçadas. A gente passando com o carro, vira a avenida e dá direto com elas, de todos os tamanhos", relatou a moradora na gravação.

Moradores relatam convivência difícil e aumento da população

O corretor Felipe Sayegh mora há nove anos no bairro e afirma que o lago encheu e, junto com ele, chegou o grupo de capivaras. "Desde o início, a gente viu o lago encher, viu as primeiras capivaras, a gente vê que a população explode, é dez filhotes por mês", disse.

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Para a vendedora Andréa Gomes, que vive a poucas quadras da área, o medo de carrapatos mudou a rotina: ela deixou de levar as cachorras para passear no local. A comerciante Ivana Aielo, que mora na região, também evita o espaço e diz que sente "vergonha e revolta" por não poder mais circular como antes. "A vida toda morando aqui, eu sempre andei aqui, sempre trouxe minhas cachorras para andar aqui e já faz mais de um ano que eu não posso nem vir aqui mais", afirmou.

Morador perde cachorro após infestação de carrapatos

O auditor Egerton Chaim conta que perdeu um animal de estimação depois de passeios próximos ao lago. Ele explicou que retirava carrapatos do cachorro ao voltar para casa, mas um deles mordeu o animal e transmitiu uma doença. "Durante 7 meses fizemos tratamento, todo tratamento possível que ele merecia, mas os órgãos vão piorando, [...] um ataca o outro e morreu", afirmou. Chaim disse ter feito uma reclamação verbal na ouvidoria, mas não recebeu retorno.

Falta sinalização e cerca não contém os animais

Não há placas indicando a presença das capivaras nem alertas sobre o risco de carrapatos na região. Os animais silvestres conseguem escapar da área do lago com facilidade, segundo os moradores.

A médica veterinária da Zoonoses, Giedre Ansani, afirmou que o ideal seria refazer o cercamento para manter as capivaras dentro do lago. Segundo ela, o pedido está em processo de licitação para a compra do novo gradeamento. "Agora tem que esperar esse processo", completou.

Prefeitura encaminha processo e Ibama não fez vistoria

Em nota, a prefeitura informou que o Departamento de Meio Ambiente enviou a documentação para o cercamento do lago ao Departamento de Gestão de Planejamento Urbano, onde o assunto está sendo avaliado pelos técnicos antes da abertura da licitação.

Em 15 de julho de 2025, o então diretor do Departamento de Bem-estar Animal, Vitor Martins, afirmou que a prefeitura havia procurado o Ibama. "Nos orientaram que eles precisam vir aqui fazer totalmente uma avaliação do local, que eles precisam fazer um monitoramento, pode ser que elas sejam realocadas ou pode ser que elas sejam castradas", disse na ocasião. A visita técnica, porém, não chegou a ocorrer.

O Ibama, em nota recente, afirmou que a gestão da fauna silvestre é de competência do órgão ambiental estadual e sugeriu contato com a Cetesb. Já a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) informou que o Departamento de Fauna Silvestre In Situ (Dfies) não recebeu pedido de autorização para manejo das capivaras nem solicitação de vistoria técnica na área.

Estudo preliminar e apelo dos moradores

Giedre Ansani também mencionou um estudo técnico preliminar para verificar a viabilidade de remanejar ou esterilizar os animais. "Mas é preliminar, a gente não tem nada certo", ponderou.

Enquanto isso, os moradores seguem sem aproveitar o espaço público. "O que nós estamos pedindo não é o extermínio das capivaras, não é isso. O que nós queremos da administração, gente, é manutenção. Vamos manter as capivaras para o lado de dentro, ter um lugar legal, bacana para a gente poder vir no final da tarde, curtir um pôr do sol, trazer os nossos animais. Só isso que nós queremos", pediu Andréa Gomes.

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