15 anos de g1 Goiás: como o estado se projetou para o Brasil
15 anos de g1 Goiás: como o estado se projetou

No dia em que o g1 Goiás foi ao ar, em 2011, o estado já carregava rótulos bem definidos no cenário nacional: música sertaneja, romarias e águas quentes. Ao longo de 15 anos, a cobertura do portal ajudou a mostrar um Goiás muito mais múltiplo, com destinos de ecoturismo, manifestações de fé, sabores típicos, personagens que inspiraram leitores e uma indústria musical que se tornou referência no país e no exterior.

Chapada dos Veadeiros: de roteiro de serviços a destino de experiência

Nos primeiros anos, as reportagens sobre a Chapada dos Veadeiros eram essencialmente utilitárias. Guias ensinavam como chegar, onde ficar e quais cachoeiras visitar. Em 2015, um dos primeiros especiais do g1 nasceu dessa necessidade, reunindo respostas às dúvidas mais comuns dos leitores. O editor-chefe do g1 Goiás, Vitor Santana, autor do especial, lembra que a proposta era mostrar uma região muito mais diversa do que aquela do imaginário popular. Na época, a Chapada era frequentemente associada ao misticismo, a cristais e até a histórias de extraterrestres, com acesso difícil, poucas opções de hospedagem e perfil de visitante diferente do atual.

“A cobertura que se faz sobre a Chapada tem um papel muito importante, até mesmo fundamental, para uma transformação e uma evolução da Chapada dos Veadeiros. Ela aumenta o interesse turístico, atrai investimentos, melhora a infraestrutura pública, como rodovias e acesso à internet, e isso beneficia não apenas os turistas, mas também quem mora lá”, afirma Vitor.

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Com o tempo, a pauta deixou de se limitar às paisagens. O g1 acompanhou pesquisas científicas sobre o Cerrado, ações de preservação ambiental, gastronomia local e o cotidiano das comunidades tradicionais, em especial o território Kalunga, o maior quilombo do Brasil, com mais de 260 mil hectares e 39 comunidades. Para a secretária de Turismo e Cultura de Cavalcante, Dominga Natália Moreira dos Santos Rosa, essa ampliação do olhar ajudou a despertar o interesse por um turismo de experiência. “A divulgação é fundamental. Ela mostra o que a Chapada tem de diferente e faz com que as pessoas tenham interesse em conhecer essa realidade. Hoje recebemos muitos visitantes em busca do turismo de experiência, das vivências dentro do território Kalunga e da nossa cultura”, afirma.

Entre as vivências procuradas estão produção de rapadura, roça de toco, caminhadas por ervas medicinais do Cerrado, rodas de conversa com os mais velhos e manifestações como a dança da Sussa e a Caçada da Rainha.

Um legado que ultrapassa o turismo

Um dos momentos que resumem a importância dessa cobertura foi o incêndio que atingiu a Chapada dos Veadeiros em 2017, o maior já registrado na unidade de conservação. As reportagens tiveram projeção nacional, mobilizaram artistas, campanhas de arrecadação e voluntários para ajudar os brigadistas. “Para mim, a importância da cobertura na região é deixar um legado para quem mora nessa área. Levar benefícios concretos para a população. Isso vai muito além do aspecto turístico”, diz Vitor.

Essa influência chegou a leitores reais. Foi ao ver uma reportagem do g1 com uma fotografia do Jardim de Maytrea, com balões coloridos sobrevoando a paisagem, que o administrador Gleidson Melo decidiu conhecer a região. “Lembro de ver aquela imagem e pensar que precisava conhecer aquele lugar.” Ele incluiu o local no roteiro e acabou conhecendo a Vila de São Jorge, Alto Paraíso, Cavalcante e comunidades Kalunga. “Foi uma viagem que superou todas as expectativas.”

Águas quentes: o fenômeno que colocou Goiás no mapa

As estâncias hidrotermais também estiveram na pauta. O g1 explicou o fenômeno geológico que faz a água surgir naturalmente aquecida, com temperaturas próximas de 60 °C antes de atingir a superfície, e mostrou por que o estado abriga a maior estância hidrotermal do mundo. Caldas Novas e Rio Quente protagonizaram parte dessa cobertura, com destaque para o Hot Park e o Parque Estadual da Serra de Caldas.

A diversidade termal foi além desses dois municípios. Lagoa Santa, Aragarças, Cachoeira Dourada e Jataí também foram apresentados aos leitores. Em Cachoeira Dourada, a descoberta de águas quentes ocorreu de forma acidental, durante a perfuração de um poço, e impulsionou o desenvolvimento turístico da cidade.

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Histórias de superação que inspiraram o Brasil

O g1 também acompanhou trajetórias de goianos que romperam barreiras. A juíza Adriana Maria Queiroz, ex-faxineira que enfrentou dificuldades financeiras para concluir direito, passou em concurso para a magistratura e transformou sua vida em livro, com a mensagem de que educação e persistência abrem caminhos. A goianiense Luiza Vilanova se tornou a primeira brasileira a conquistar a bolsa Rhodes, da Universidade de Oxford, e afirmou ao g1 que queria ser inspiração para outros estudantes. Ela também compartilhou o trabalho em projetos sociais de educação que já beneficiaram milhares de crianças.

O sertanejo e a cena independente

Muito antes das lives que bateram recordes na pandemia, Goiás já concentrava gigantes da música sertaneja. Em 2014, o g1 transmitiu ao vivo o Villa Mix, festival nascido em Goiânia, com shows de Jorge e Mateus, Gusttavo Lima, Luan Santana, Zezé Di Camargo e Luciano, Victor e Leo, Israel Novaes e Matheus e Kauan. Na cobertura, o projetista do festival, Miguel Gomes, definiu a capital como “o berço do sertanejo”.

O produtor musical Anselmo Troncoso avalia que a imprensa contribuiu para o sucesso dos artistas: “A imprensa, seja local, regional ou nacional, contribuiu enormemente para o sucesso dos artistas. Ela ajudou a divulgar o trabalho de quem estava começando e também mostrou a estrutura que existe por trás da música sertaneja.” Segundo ele, a cobertura acompanhou a profissionalização do setor. “Hoje Goiás é um centro de produção. Temos artistas, produtores, compositores, escritórios e uma cadeia inteira funcionando aqui. A cobertura deixou de mostrar apenas lançamentos e passou a revelar todo esse ecossistema.”

O g1 também registrou a força da cena independente. Festivais como Goiânia Noise, Bananada e Vaca Amarela foram mostrados como vitrines para bandas de diferentes estilos, do punk ao indie, do hardcore à MPB, ampliando a identidade musical do estado para além do sertanejo.

Fé e tradição: romarias que mobilizam multidões

A religiosidade é outra marca de Goiás retratada pelo g1. A Romaria do Divino Pai Eterno, em Trindade, uma das maiores peregrinações do país, foi acompanhada ano após ano, com a chegada de fiéis de vários estados e a mobilização da cidade. A Romaria de Muquém, em Niquelândia, a mais antiga do estado, também ganhou espaço. Há mais de dois séculos, devotos percorrem quase 50 quilômetros pela GO-237, a Rodovia da Fé, até o Santuário de Nossa Senhora da Abadia.

Além das tradições católicas, o portal mostrou outras formas de viver a fé, como o Radicais Livres, conferência da Igreja Videira que reúne o público jovem em Goiânia, e o Congresso Espírita de Goiás, que atrai estudiosos e participantes de diversas regiões.

Sabores que viram patrimônio

A gastronomia goiana também teve lugar de destaque. O g1 resgatou receitas tradicionais no quadro Jornal do Campo, como o empadão goiano com guariroba, feito por famílias do interior. Também mostrou pesquisas da Embrapa e da Emater que desenvolveram variedades de pequi sem espinhos após mais de duas décadas de estudo, incentivando o cultivo de um dos símbolos da cozinha regional. A pamonha, por sua vez, foi tema de reportagens desde a sanção da lei que a tornou patrimônio cultural imaterial de Goiás, destacando as tradicionais “pamonhadas” que reúnem família e amigos.

Um estado contado por muitas histórias

Em 15 anos, o g1 Goiás registrou transformações, valorizou a identidade local e ajudou a projetar o estado além dos estereótipos. Da Chapada dos Veadeiros às estâncias termais, dos palcos sertanejos às romarias, das receitas típicas às trajetórias de superação, a cobertura deixou um acervo de histórias que mostram Goiás ao Brasil e ao mundo.