O voto é facultativo para pessoas com 70 anos ou mais, mas a idade não impede muitos eleitores de exercerem a cidadania. Um exemplo é José Bento da Silva, de 103 anos, morador de Tocos do Mogi, no Sul de Minas Gerais, que pretende comparecer às urnas mais uma vez neste ano. 'Se estiver vivo, tem que votar', afirma o centenário.
Trajetória política e incentivo à família
Seu José conhece bem o valor do título eleitoral. Na juventude, participou ativamente da política em Borda da Mata e Tocos do Mogi, municípios da mesma zona eleitoral de Pouso Alegre. Ele chegou a exercer o cargo de vereador nas duas cidades. As lembranças da trajetória política estão guardadas em homenagens e livros, e ficaram marcadas na família. Seu José incentivou filhos, netos e outros parentes a participar da vida democrática, seja como candidatos ou como eleitores. 'Vai todo mundo e a gente fica por fora, fica chato, né?', disse.
O neto, Vitor Alves de Mira, costuma acompanhar o avô nos dias de votação. Segundo ele, o interesse pela política continua presente na rotina do centenário, que reserva parte do dia para acompanhar debates do Congresso Nacional pela televisão. 'Ele é uma referência para nós da família e um exemplo para a sociedade e também para a nossa cidade. Destaca sempre a importância dessa participação democrática, da gente fazer a escolha e exercer a representação do povo por meio dos nossos representantes. Então ele costuma participar sim e no momento da eleição a gente pergunta a ele, deixa sempre espontaneamente se ele deseja exercer o direito cidadão do voto e ele costuma sempre participar sim do processo', afirmou.
Dados do TSE no Sul de Minas
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, no Sul de Minas, há mais de 8 mil eleitores com 100 anos ou mais. Em Pouso Alegre, são 241 pessoas nessa faixa etária aptas a votar. O município tem ainda 309 eleitores entre 95 e 99 anos e 569 entre 90 e 94 anos.
Para o sociólogo Isaías Paschoal, a participação dos eleitores mais velhos pode ser explicada por dois fatores. 'Essas pessoas fazem isso, eu acho que em função de dois fatores. O primeiro fator é que elas julgam o seu voto importante. Elas saem para consagrar alguém que elas julgam que representou o bem ou dar uma oportunidade para uma pessoa que está pleiteando um cargo político. E o segundo fator é que eleição no Brasil tradicionalmente, desde o século XIX, é dia de festa', explicou.
Compromisso com a democracia
Enquanto acompanha o cenário político e se prepara para mais uma eleição, Seu José mantém a disposição de seguir participando do processo democrático. 'Se estiver vivo, tem que votar. Tô com fé que vou', afirmou. A história do eleitor centenário reforça a importância do voto como exercício de cidadania, independentemente da idade.



