Teste do pezinho: DF e MG são referência na triagem neonatal no Brasil
Teste do pezinho: DF e MG lideram triagem neonatal

Bastam algumas gotinhas de sangue, colhidas do calcanhar de um bebê recém-nascido, para que o teste do pezinho consiga diagnosticar, de forma precoce, mais de 60 doenças. Neste sábado (6), o país celebra o Dia Nacional do Teste do Pezinho. Foi em 6 de junho de 2001, há exatos 25 anos, que o Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) no Sistema Único de Saúde. Hoje, o exame é gratuito e obrigatório conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O número de diagnósticos varia em cada estado e, atualmente, são testadas no mínimo seis doenças. O Distrito Federal encontra-se na etapa mais avançada do PNTN, com capacidade de diagnosticar 62 doenças. Segundo o Ministério da Saúde, além do DF, apenas Minas Gerais cumpre todas as etapas previstas no programa, também rastreando cerca de 60 doenças.

Entenda o teste do pezinho

A triagem neonatal biológica, conhecida como teste do pezinho, deve ser realizada entre 48 horas após o nascimento e o 5º dia de vida do recém-nascido. A endocrinologista pediátrica Kallianna Gameleira explica que o teste do pezinho é uma das estratégias de saúde pública mais eficaz na diminuição da mortalidade infantil.

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No teste, o calcanhar do bebê é levemente aquecido e picado. As gotinhas de sangue são absorvidas em um papel-filtro e enviadas para análise laboratorial. As crianças que nascem na rede pública do DF devem realizar o teste antes da alta hospitalar. Os pais também podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O processamento laboratorial do teste leva, em média, entre um e quatro dias úteis. Caso o exame aponte qualquer alteração, é realizada uma busca ativa imediata para convocar a família.

"Havendo qualquer sintoma incomum no bebê enquanto aguardam o resultado do exame, devem buscar atendimento médico de urgência", destaca Kallianna. Ela conta que, por meio do teste, é possível realizar um diagnóstico precoce de doenças ainda na sua fase pré-sintomática e instituir um tratamento em tempo oportuno. "Esse diagnóstico ainda em fase assintomática impede sequelas irreversíveis no desenvolvimento neurológico e motor, reduz drasticamente a mortalidade infantil e garante que crianças que poderiam sofrer danos crônicos graves tenham a oportunidade de crescer com uma qualidade de vida praticamente normal", diz a médica.

Segundo Kallianna, o atraso na realização do exame acarretará no atraso de diagnósticos e, consequentemente, no tratamento. Mesmo se o período ideal for ultrapassado, a orientação é para pais e responsáveis levarem os bebês, o quanto antes, para realizar a testagem.

DF se destaca na cobertura nacional

No SUS, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) prevê que o teste do pezinho faça o rastreamento das doenças em cinco etapas, de forma escalonada. A etapa I inclui, por exemplo, o teste para fibrose cística, e a etapa V inclui o teste para Atrofia Muscular Espinhal (AME).

Em 2025, o Ministério da Saúde regulamentou a ampliação do teste do pezinho em todo o país. Essa norma prevê investimentos anuais de mais de R$ 13 milhões para apoiar os estados para que, até 2030, eles façam o rastreamento de todas as etapas do PNTN. Segundo o ministério, atualmente, a primeira etapa da ampliação já está presente em todas as unidades da federação. O Distrito Federal e Minas Gerais são as únicas regiões que cumprem com todas as cinco etapas previstas. Mato Grosso do Sul realiza as etapas I, II, IV e V, também fazendo o rastreamento para AME. "Cada estado promove a implementação do programa conforme a sua realidade", diz o ministério.

Segundo Kallianna Gameleira, o DF desponta na vanguarda da triagem neonatal no Brasil graças a três pontos:

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  • Legislação específica pioneira: o DF implementou a ampliação do teste do pezinho por meio de leis distritais (como a Lei Distrital 4.190 de 2008 e atualizações posteriores), muito antes da aprovação da lei federal de ampliação nacional.
  • Infraestrutura tecnológica: o DF conta com um Laboratório de Triagem Neonatal centralizado e equipado com tecnologias de ponta, como a Espectrometria de Massas em Tandem (MS/MS) e plataformas de biologia molecular, que analisam múltiplos biomarcadores simultaneamente em uma única gota de sangue.
  • Rede integrada: a cobertura atinge 100% dos nascidos vivos na rede pública e o Serviço de Referência em Triagem Neonatal e Doenças Raras do Distrito Federal (SRTN-DF) conta com uma equipe multidisciplinar integrada, agilizando o fluxo que vai do rastreamento laboratorial até o acompanhamento com instituição do tratamento adequado.

A Secretaria de Saúde do DF informou que realiza cerca de 40 mil análises do teste do pezinho por ano. De janeiro de 2026 até o começo de maio, já foram realizadas mais de 15,4 mil coletas.

Brasil diagnosticou mais de 3 mil bebês em 2025

O Ministério da Saúde informou que, em 2025, foram diagnosticados 3.566 recém-nascidos com alguma das doenças triadas no PNTN, número 6,6% maior que 2024. O SUS realiza anualmente a triagem de cerca de 2,7 milhões, com cobertura média de aproximadamente 87% dos nascidos vivos no país.

Os maiores índices na cobertura foram registrados no:

  • Paraná: 123,48%
  • Distrito Federal: 121,81%
  • Minas Gerais: 96,42%

*Os números superiores a 100% se referem ao apoio dado a estados vizinhos.

Os menores índices na cobertura nacional foram registrados em:

  • Roraima: 67,10%
  • Goiás: 68,90%
  • Tocantins: 72,05%

A história do teste do pezinho

Segundo a Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM), a triagem neonatal biológica foi iniciada em 1961, com o médico Robert Guthrie, nos Estados Unidos. A instituição conta que Guthrie desenvolveu a primeira metodologia para testar sangue seco colhido em papel-filtro, para detecção da fenilcetonúria. Até 1964, cerca de 400 mil crianças foram testadas, sendo detectados 39 casos positivos.