A construtora Cidade, responsável pela ponte Frei Paolino Baldassari, que desabou em Sena Madureira, interior do Acre, assinou outros seis projetos no estado, sendo três somente em Rio Branco. Um deles é a passarela Joaquim Macedo, interditada desde 2024 por problemas no solo. A empresa também foi habilitada na licitação para a sexta ponte sobre o Rio Acre na capital, o que seria o oitavo projeto no estado.
Desabamento e interdição
A ponte desabou na noite de sexta-feira (5) com quatro pessoas sobre ela. A estrutura estava interditada desde quinta (4) por risco de desabamento às margens do Rio Iaco. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do desabamento e mostram as pessoas atravessando a estrutura após ultrapassarem o bloqueio.
Obras da construtora no Acre
O grupo inclui em seu portfólio a terceira e a quarta ponte de Rio Branco, a Passarela Joaquim Macedo, a Ponte da União sobre o Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, uma ponte sobre o Rio Envira, em Feijó, e a Ponte da Liberdade sobre o Rio Purus, em Manoel Urbano. Em seu site oficial, a construtora não exibe a ponte Frei Paolino.
- 3ª ponte sobre o Rio Acre - inaugurada em 2006, em Rio Branco. Custo: R$ 28 milhões
- 4ª ponte sobre o Rio Acre - inaugurada em 2010, em Rio Branco. Custo: R$ 26 milhões
- Ponte sobre o Rio Envira - em Feijó. Valor não confirmado
- Ponte da União, sobre o Rio Juruá - inaugurada em 2011, em Cruzeiro do Sul. Valor: R$ 150 milhões
- Ponte da Liberdade - inaugurada em 2010, em Manoel Urbano. Valor: R$ 46,37 milhões
- Passarela Joaquim Macedo - inaugurada em 2006, em Rio Branco. Valor não confirmado
Medidas do governo
Ao g1, o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre) ressaltou um decreto publicado no sábado (6) que suspende contratos, processos de contratação e pagamentos vinculados à construtora na administração pública estadual. O órgão informou que intensificará o monitoramento e as inspeções técnicas em pontes, passarelas e demais obras especiais sob sua responsabilidade.
Nota da construtora
Por meio de nota, a construtora Cidade afirmou que atua há 57 anos no setor de infraestrutura e que as obras já entregues possuem histórico próprio de operação e acompanhamento pelos órgãos contratantes. A empresa disse estar concentrada na apuração dos fatos relacionados à Ponte Frei Paolino Baldassari, colaborando com os órgãos competentes e especialistas responsáveis pelos estudos e perícias em andamento.
Riscos no entorno
Cerca de uma semana antes do desabamento, foram identificadas movimentações no solo e rachaduras em uma área de mais de 16 mil metros quadrados no entorno da estrutura. Equipes técnicas começaram a identificar sinais de instabilidade no terreno, e a situação piorou rapidamente com o surgimento de rachaduras, deslocamento de terra e desníveis. Com base nas informações, a empresa encaminhou ao Deracre, na quinta-feira (4), uma recomendação para interdição da ponte.
Investigações
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as causas do desabamento, com conclusão prevista em 30 dias. Três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) foram designados para a investigação. O Ministério Público do Acre também instaurou um procedimento e solicitou ao DNIT uma perícia na área para identificar possíveis falhas no projeto, execução ou material.
Detalhes da ponte
A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada em 19 de dezembro de 2023, com 232 metros de extensão. Executada pela construtora Cidade Ltda, a obra custou mais de R$ 36 milhões. Segundo o Corpo de Bombeiros, a parte que ruiu corresponde a 60% da extensão, cerca de 139 metros. À época da abertura, a Prefeitura de Sena Madureira estimava que 2,5 mil pessoas seriam beneficiadas.



