O documentário "A caminhada sagrada de Tatatxi Ywarete" foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Vitória 2026, realizado na capital capixaba. A obra, dirigida pelo cineasta indígena Katu Mirim, retrata a peregrinação espiritual do líder Tatatxi Ywarete pela Floresta Amazônica. O prêmio de melhor filme foi anunciado na noite de sábado (25), no Teatro Carlos Gomes, com a presença de mais de 800 espectadores.
Trajetória do filme
Produzido ao longo de três anos, o documentário acompanha a jornada de Tatatxi Ywarete, um xamã da etnia Marubo, em busca de conhecimentos ancestrais. Com duração de 92 minutos, o filme utiliza técnica de cinema direto e imagens aéreas para mostrar a relação entre espiritualidade e preservação ambiental. Segundo Katu Mirim, a obra busca "dar voz aos povos originários e mostrar sua luta pela terra".
Repercussão no festival
Além do prêmio principal, o longa-metragem também levou os troféus de melhor direção e melhor fotografia. A curadora do festival, Ana Clara Santos, destacou que "o filme emocionou o público pela sua potência visual e narrativa". O festival recebeu 247 inscrições este ano, sendo 52 da região Norte. O público total ultrapassou 12 mil pessoas durante os cinco dias de evento.
O presidente do júri, o crítico Carlos Nader, afirmou que a escolha foi unânime: "É uma obra que transcende o cinema e toca questões fundamentais da humanidade". A premiação incluiu R$ 100 mil para o vencedor, além de distribuição garantida em salas de cinema do país.
Importância cultural
"A caminhada sagrada de Tatatxi Ywarete" representa um marco para o cinema indígena brasileiro. O filme foi financiado por edital da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e parceria com produtoras independentes. A expectativa é que o documentário seja exibido em outros festivais internacionais, como o Festival de Berlim e o de Vancouver.
Com a vitória, o diretor Katu Mirim se torna o primeiro indígena a vencer o Festival de Cinema de Vitória. Ele dedicou o prêmio "a todos os guerreiros da floresta que lutam pela vida". O evento também homenageou o cineasta pernambucano Paulo Caldas, falecido em 2025, com uma mostra retrospectiva.



