Nas últimas duas semanas, moradores de Hortolândia (SP), Paulínia (SP) e Monte Mor (SP) voltaram a relatar problemas com a qualidade da água distribuída pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). As queixas incluem gosto e odor ruins, frequentemente comparados a mofo ou pano molhado, o que tem tornado a água imprópria para consumo. A situação já havia sido registrada em abril de 2026, conforme apuração da EPTV, afiliada da TV Globo.
Relatos dos moradores
Rodrigo Laneri, morador do Jardim Jatobá, em Hortolândia, descreveu a experiência: "Quando a gente bebe a água, sente um gosto e um cheiro, como eu posso dizer, de uma coisa mofada, uma coisa pesada. A gente teve esse problema em abril e agora duas semanas voltou a ter esse gosto e esse cheiro na água". Segundo ele, outros moradores também questionam a qualidade do abastecimento e relatam problemas de saúde após o contato com a água.
"A gente participa de alguns grupos que as pessoas reclamam de diarreia, irritação na pele ao tomar banho. Então está tendo um desconforto, sim", afirmou Rodrigo, evidenciando a preocupação coletiva.
Resposta da Sabesp e da Cetesb
Em nota, a Sabesp informou que intensificou o monitoramento da qualidade da água e, preventivamente, reforçou a aplicação de carvão ativado no tratamento da água distribuída em Paulínia e Hortolândia. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) também se manifestou, afirmando que monitora os rios que abastecem as estações da região, inclusive com uma sonda na captação de água bruta no Rio Jaguari. Até o momento, não foram identificadas alterações nos principais parâmetros de qualidade nem substâncias associadas a gosto e odor.
Impacto na rotina e na saúde
Rodrigo Laneri, que reside em Hortolândia há apenas sete meses, está preocupado com a saúde da família, especialmente da esposa grávida. "Minha esposa está grávida e a gente não sabe o quanto esse cheiro é nocivo para a vida das pessoas, ou para um recém-nascido ou para um adulto. A Sabesp nunca apresentou um estudo do que pode acontecer com a saúde se a gente ficar respirando esse cheiro 24 horas. Nós precisamos de uma resposta", desabafou.
Já Rodrigo Fabiano da Silva, morador do bairro Dona Edith de Campos Fávero, em Paulínia, relatou que o problema foi resolvido temporariamente, mas retornou nos últimos dias. "Na hora que eu vou tomar banho, a gente abre o chuveiro, entra de baixo e começa a vir aquele cheiro. Começou em maio, eu acho, e ficou uns 15 dias sem esse cheiro e voltou de novo. Incomoda muito", disse. Ele também afirmou que, mesmo tendo filtro em casa, precisa comprar água engarrafada para consumo diário, o que gera transtornos.
Histórico do problema
O problema já havia sido identificado em abril deste ano, quando a Sabesp constatou que o Rio Jaguari, um dos principais mananciais da região, continha substâncias que prejudicavam a qualidade da água. Na ocasião, a companhia afirmou que a situação havia sido resolvida e que continuaria monitorando o rio.
Posicionamento oficial da Sabesp
A Sabesp informou que intensificou, ao longo da semana, o monitoramento da qualidade da água distribuída em Hortolândia e Paulínia, após manifestações pontuais relacionadas a alterações de gosto e odor. Equipes da Companhia estão realizando coletas e análises em diferentes pontos do sistema e atendendo diretamente os clientes que registraram ocorrências. Os resultados disponíveis até o momento confirmam que a água permanece dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação. Como medida preventiva, a Sabesp reforçou a aplicação de carvão ativado no processo de tratamento e acionou o poder público para acompanhamento da situação. A Companhia mantém o monitoramento contínuo e seguirá adotando as medidas operacionais necessárias para assegurar a qualidade e a segurança do abastecimento.
A Sabesp permanece à disposição dos clientes pelos canais de atendimento. Ocorrências e solicitações podem ser registradas na Central de Atendimento pelo telefone 0800 055 0195, com ligação gratuita e funcionamento 24h, pelo WhatsApp (11) 3388-8000 ou pela Agência Virtual, no site www.sabesp.com.br.



