O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, passará a operar na chamada faixa 3, que significa alerta, a partir desta quarta-feira (1º de julho). A mudança ocorre porque o sistema encerrou o mês de junho com 39,87% do volume útil, abaixo do limite de 40% previsto nas regras de operação definidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela SP Águas.
Limitação na captação de água
Com a alteração, a Sabesp ficará autorizada a captar até 27 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) do Cantareira. Em condições de normalidade, a retirada pode chegar a 33 m³/s. A mudança não significa racionamento nem redução imediata do abastecimento, mas limita a quantidade de água que a Sabesp pode retirar diariamente do Sistema Cantareira. A medida faz parte das regras de operação adotadas após a crise hídrica de 2014 e busca preservar o volume dos reservatórios durante o período de estiagem.
Confirmação oficial e contexto
A mudança já era esperada diante da queda gradual dos reservatórios durante o período de estiagem. Na manhã desta terça-feira (30), a ANA e a SP Águas confirmaram oficialmente a entrada do sistema na faixa de alerta para o mês de julho. Segundo os órgãos, o Cantareira registrava 40,52% do volume útil no último dia útil de maio. Um mês depois, o índice caiu para 39,87%, suficiente para alterar a classificação operacional do sistema.
Medidas complementares
Apesar da redução na vazão autorizada, a Sabesp poderá complementar o abastecimento utilizando a água transposta da represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do Rio Paraíba do Sul, respeitando os limites permitidos pelo estado. A medida foi autorizada pelos órgãos gestores para reforçar a segurança hídrica durante o período seco.
Posicionamento oficial
Em nota, a ANA e a SP Águas afirmaram que a gestão compartilhada do Sistema Cantareira acompanha diariamente os níveis dos reservatórios, as vazões e o volume armazenado para definir as condições de operação. As agências também reforçaram a importância da adoção de medidas para reduzir perdas e estimular o consumo consciente de água, tanto pelas companhias de abastecimento quanto pelos demais usuários, com o objetivo de preservar os reservatórios durante a estiagem.
Regras após a crise hídrica
A operação por faixas foi criada após a crise hídrica de 2014 e 2015 e está prevista na Resolução Conjunta nº 925, de 2017. O modelo estabelece limites de retirada de água conforme o volume armazenado no Cantareira, buscando garantir maior previsibilidade e segurança para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo e das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ). O Sistema Cantareira abastece cerca de metade da população da Grande São Paulo e também atende municípios das bacias PCJ. O complexo é formado pelos reservatórios Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, que juntos possuem volume útil de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, o sistema conta ainda com uma interligação entre a represa da UHE Jaguari, no Rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha, mecanismo utilizado para ampliar a segurança hídrica da região.
Posicionamento da Sabesp
Procurada pelo g1 sobre possíveis impactos para a população, a Sabesp não respondeu até a última atualização desta reportagem.



