Na comunidade Santana, zona rural de Santa Teresinha, no Sertão da Paraíba, a cerca de 320 km de João Pessoa, o menino Elvis Ferreira Fernandes, de 7 anos, encontrou uma forma criativa de viver a tradição do álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Sem recursos para comprar os cromos oficiais, ele decidiu criar a própria coleção, usando papel, lápis de cor, canetas e muita paciência.
Uma ideia que nasceu da necessidade
Filho do agricultor Odair José Fernandes Costa, de 53 anos, e da boleira Edina Valéria Ferreira Costa, de 36, Elvis sabia que a realidade financeira da família era limitada. Ainda assim, pediu o álbum da Copa, como muitas outras crianças. A família conseguiu comprar apenas o álbum, mas as figurinhas ficaram fora do orçamento. Foi então que o menino encontrou sua própria solução. “Eu decidi fazer as figurinhas da Copa porque mãe e pai não tinham dinheiro para comprar”, disse Elvis ao g1.
O processo criativo
Uma a uma, Elvis desenha jogadores, escudos, símbolos da competição e até a capa do álbum oficial. Em seguida, recorta cada ilustração e cola no espaço reservado às figurinhas. Cada figurinha exige atenção aos detalhes: ele observa imagens de jogadores na internet, desenha rostos, uniformes e escudos, colore, recorta e cola. O resultado é um álbum único, onde a criatividade substituiu a falta de recursos.
Além dos jogadores
O talento de Elvis não se limita ao álbum. Em casa, ele cria brinquedos com papelão, como réplicas de celulares e uma bola de futebol improvisada com balão e fita adesiva. No álbum, além de atletas da Seleção Brasileira e de outras seleções, ele reproduziu elementos históricos, como o Fuleco, mascote da Copa de 2014, e os mascotes do Canadá, México e Estados Unidos. Seu jogador favorito é Neymar. “Eu desenhei o Alisson, o Matheus Cunha, a capa do álbum. E o que eu mais desenhei foi a figurinha do Neymar. Eu desenhei um monte de vezes”, relatou.
A reação da família
A mãe, Valéria Ferreira, conta que o talento do filho foi estimulado pela irmã mais velha, Mônica, de 14 anos. “Ele olhava o desenho no celular e memorizava a imagem. Depois passava tudo para o papel. Desde pequenininho ele gosta de desenhar e sempre surpreendeu a gente”, comentou. Quando a família explicou que não podia comprar as figurinhas, Elvis respondeu: “Não se preocupe, mamãe, porque eu desenho as figurinhas e vou colando”. Para Valéria, essa atitude mistura orgulho e emoção. “É difícil ver um filho da gente com um sonho que parece pequeno para muita gente, mas que para nós acaba se tornando um sonho grande. Como a gente não podia comprar as figurinhas, ele encontrou um jeito de realizar esse sonho”, explicou.
Divulgação nas redes sociais
Na tentativa de mostrar o talento de Elvis e encontrar ajuda, Valéria começou a registrar a rotina do menino nas redes sociais. “O objetivo era mostrar o sonho dele. Quem sabe alguém pudesse ver e mandar algumas figurinhas”, finalizou.



