A Phia, startup de publicidade cofundada por Phoebe Gates, filha do bilionário Bill Gates, está sendo acusada de utilizar uma prática conhecida como 'cookie stuffing' para desviar comissões de marketing de afiliados. A Bloomberg realizou testes em mais de 50 sites e constatou que a extensão abria abas em segundo plano para inserir seu próprio código de referência, substituindo indicações legítimas de outros publishers.
Funcionamento da extensão e acusações
A Phia se apresenta como uma 'assistente pessoal de compras' que ajuda usuários a encontrar os menores preços para roupas e acessórios. Ao ser instalada em um navegador, a ferramenta localiza cupons de desconto. Empresas desse tipo, conhecidas como programas de marketing de afiliados, recebem comissão dos varejistas quando uma venda é concluída a partir de sua indicação.
Segundo Ben Edelman, pesquisador especializado em marketing de afiliados, a Phia estaria reivindicando crédito por vendas online que não gerou, violando políticas de diversas plataformas. 'O requisito mais fundamental do marketing de afiliados é que a comissão só seja paga se o usuário clicar', afirmou Edelman. 'As regras não permitem cliques falsos, simulados, imaginários ou hipotéticos. Apenas um clique real serve.'
Testes da Bloomberg e da Capital One Shopping
A Bloomberg testou a extensão móvel da Phia em mais de 50 sites e observou que, durante o checkout, a ferramenta abria uma aba em segundo plano sem interação do usuário e inseria seu próprio código de referência. As conclusões foram consistentes com testes independentes realizados pela Capital One Shopping e por Edelman.
A Capital One Shopping enviou um e-mail a varejistas alertando sobre cliques falsos ou 'cookie stuffing' praticados pela Phia. 'Publishers como nós estão perdendo receitas relevantes', dizia a mensagem. 'E anunciantes como vocês estão perdendo dinheiro para cliques falsos.' A Capital One confirmou a autenticidade do e-mail, mas se recusou a comentar especificamente sobre a Phia.
Resposta da Phia
Um porta-voz da Phia reconheceu o problema e afirmou que ele já foi corrigido. 'Nas últimas 24 horas, tomamos conhecimento de que uma versão recente de nosso código estava causando atribuições incorretas para um subconjunto de usuários', disse o porta-voz. 'Assim que fomos informados, nossa equipe trabalhou durante a noite para identificar, mitigar e resolver a questão.'
A Bloomberg voltou a testar a extensão após contato com a empresa em 7 de julho e constatou que ela havia deixado de reivindicar automaticamente cliques de referência. Segundo a Phia, a empresa passa regularmente por auditorias e 'sempre manteve conformidade' com as regras do setor. O código que permitia os cliques automáticos havia sido introduzido em dezembro.
Impacto e consequências
A prática de 'cookie stuffing' viola regras do setor e os termos de serviço de varejistas como eBay e Walmart, além de redes de afiliados como Impact.com. A Impact.com informou que suspendeu a conta da Phia após identificar comportamentos inconsistentes com suas políticas.
A Phia foi lançada em 2025 por Phoebe Gates, de 23 anos, e sua amiga Sophia Kianni. A empresa levantou US$ 43,5 milhões junto a investidores como Notable Capital, Kleiner Perkins e Khosla Ventures, além de celebridades como Sydney Sweeney, Khloe Kardashian e Hailey Bieber. Sheryl Sandberg também está entre os investidores. Segundo estimativas da Appfigures, o aplicativo foi baixado mais de 1,2 milhão de vezes nos últimos 12 meses.
Em 2024, pesquisadores de segurança identificaram que a Phia registrava o histórico de navegação dos usuários, incluindo capturas de páginas com informações sensíveis, como extratos bancários. A empresa afirmou que parou de coletar o conteúdo das páginas após ser alertada.



