SACs investem em IA, mas ainda dependem de humanos para resolver problemas complexos
SACs investem em IA, mas dependem de humanos para complexos

Empresas adotam IA nos SACs sem abrir mão do toque humano

Os centros de atendimento ao cliente (SACs) estão cada vez mais investindo em inteligência artificial (IA) para agilizar respostas e reduzir custos. No entanto, a tecnologia ainda não substitui completamente os atendentes humanos, especialmente em demandas que exigem empatia e raciocínio complexo. Segundo uma pesquisa da consultoria Gartner, divulgada em julho de 2026, cerca de 70% das interações nos SACs brasileiros já são iniciadas por chatbots, mas apenas 25% são resolvidas sem intervenção humana.

Eficiência com limites: quando a IA não basta

A IA permite que perguntas frequentes sejam respondidas instantaneamente, liberando os agentes para casos mais delicados. No entanto, problemas como erros de faturamento, reclamações recorrentes ou situações emocionais ainda exigem a sensibilidade de um humano. “A tecnologia ajuda na velocidade, mas o cliente quer ser ouvido e compreendido. A IA ainda não consegue replicar isso plenamente”, afirma Carlos Silva, diretor de experiência do cliente do Banco do Brasil, em entrevista ao Valor.

Investimentos em treinamento e tecnologia

As empresas estão equilibrando investimentos entre plataformas de IA e capacitação de equipes. No setor de telecomunicações, a Vivo anunciou em junho um aporte de R$ 50 milhões para modernizar seu SAC, com foco em IA generativa, mas manteve o quadro de 3.000 atendentes humanos. “Queremos que o cliente sinta que está falando com uma marca que se importa. A IA é uma ferramenta, não um fim”, explicou a diretora de operações, Ana Paula Costa.

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Impactos no mercado de trabalho

O movimento levanta preocupações sobre empregos, mas especialistas apontam que a IA está mais para transformar funções do que eliminá-las. Um estudo da consultoria McKinsey estima que, até 2030, 30% das tarefas repetitivas nos SACs serão automatizadas, mas novas vagas surgirão em áreas como análise de dados e gestão de chatbots. “Não é uma substituição, é uma evolução do atendimento”, resume Silva.

Desafios e tendências

O principal desafio é garantir que a transição não prejudique a qualidade. Clientes reclamam de loops intermináveis com bots e falta de opção para falar com um humano. Por isso, empresas como a Magazine Luiza estão adotando sistemas híbridos: o chatbot tenta resolver, mas se não conseguir em até três interações, transfere automaticamente para um atendente. “A experiência do cliente deve ser fluida e respeitosa”, destaca Ana Paula.

Com a evolução da IA generativa, a expectativa é que os bots se tornem mais naturais e capazes de lidar com nuances. Mas a presença humana continuará essencial para criar vínculos e resolver o que escapa aos algoritmos.

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