Em 24 de junho de 2025, milhões de venezuelanos receberam alertas de terremoto em seus celulares Android, emitidos pelo sistema de alerta precoce do Google. O aviso, que soou em casas, lojas e empresas, deu às pessoas tempo para buscar proteção antes que dois fortes tremores atingissem o país. O primeiro terremoto, de magnitude 7,2, foi seguido por outro de magnitude 7,5. Segundo o Google, 11,4 milhões de usuários foram notificados, com alguns tendo de alguns segundos a até dois minutos para reagir.
Como funciona o sistema de alerta do Android?
O sistema utiliza o acelerômetro presente em celulares Android — o mesmo sensor que gira a tela quando o aparelho é inclinado — para detectar movimentos do solo causados por terremotos. O engenheiro de software Marc Stogaitis explicou, em artigo de 2025, que o sensor identifica a onda P, a primeira gerada por um terremoto, e envia um sinal ao servidor de detecção sísmica do Google. Como há milhões de celulares Android no mundo, o sistema reúne as informações dos aparelhos na área afetada, estima localização, extensão e intensidade dos tremores e envia alertas para todos os dispositivos na região.
A vantagem de medir as ondas P é que elas se propagam mais rapidamente e são menos destrutivas que as ondas S (secundárias), ganhando tempo precioso para reação. O único requisito é que os celulares estejam parados durante a detecção. O objetivo é alertar o maior número possível de pessoas antes da chegada das ondas S, as mais perigosas.
Dois tipos de alerta e cobertura global
O sistema Android só envia notificações para terremotos de magnitude igual ou superior a 4,5. Há dois tipos: "Be aware" (Esteja Ciente do Alerta), para tremores menores, e "Take Action" (Alerta de Ação), para tremores mais fortes, que ocupa toda a tela e emite som. O celular precisa estar conectado à internet (rede móvel ou Wi-Fi) e ter localização e o sistema de alerta ativados.
Na Venezuela, cerca de 1,4 milhão de usuários receberam o alerta mais grave, com orientação para tomar medidas de proteção. O Google informou, em artigo de 2025, que o sistema estava disponível em cerca de 100 países, muitos dos quais, como a Venezuela, não possuem sistema nacional de alerta para terremotos. O sistema multiplicou por dez o número de pessoas com acesso a alertas precoces: de 250 milhões em 2019 para 2,5 bilhões em 2025.
Alerta falso no Brasil
Em fevereiro de 2025, o Google emitiu alerta semelhante no Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais, indicando epicentro a cerca de 55 km de Ubatuba (SP) e magnitude de até 5,5. No entanto, não houve terremoto. A Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) e instituições internacionais não detectaram evento sísmico na costa brasileira. O Google afirmou em nota: "Nosso sistema de alerta de terremotos detectou sinais de celulares em localização próxima ao litoral de São Paulo e disparou um alerta de terremoto aos usuários na região. Nós desativamos prontamente o sistema de alerta no Brasil e estamos investigando o ocorrido. Pedimos desculpas aos nossos usuários pelo inconveniente e seguimos comprometidos em aprimorar nossas ferramentas." A empresa ressaltou que o sistema "não foi desenhado para substituir nenhum outro sistema de alerta oficial."



