O Centrão avalia como precipitada a sugestão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de nomear seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para o Ministério das Relações Exteriores caso vença as eleições presidenciais. Líderes de partidos de centro ouvidos pelo GLOBO consideram que Eduardo não tem condições de assumir o cargo e que a medida pode afastar eleitores moderados, além de dificultar alianças políticas.
Eduardo Bolsonaro está fora do Brasil desde o ano passado, perdeu o mandato na Câmara e teme ser preso se retornar ao país. Caciques do Centrão afirmam que a escolha acena apenas para a 'bolha bolsonarista' e não dialoga com partidos de centro, comprometendo o apoio ao projeto de Flávio.
Em uma transmissão, Flávio definiu o irmão como 'um craque nas relações internacionais' e disse ser uma honra contar com sua lealdade. No entanto, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, classificou a ideia como 'precipitada'. Outras lideranças do Centrão, como Antônio de Rueda (União Brasil), também demonstraram insatisfação com a falta de diálogo prévio sobre a candidatura de Flávio.
O encontro entre Flávio e caciques do Centrão no mês passado, em Brasília, teve momentos de tensão. Os líderes partidários questionaram o senador sobre a ausência de consulta antes do anúncio de sua pré-candidatura e afirmaram que seguem preferindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como nome para a disputa presidencial.



