O polêmico anatomista alemão Gunther von Hagens, conhecido mundialmente por suas exposições de cadáveres humanos plastinados, faleceu em 24 de julho de 2026, aos 81 anos, após uma longa e grave doença. A informação foi confirmada por sua equipe nesta segunda-feira (27), que também anunciou que o corpo será submetido à técnica de conservação que ele próprio desenvolveu: a plastinação.
Comunicado oficial e homenagens
“Com profunda tristeza, sua família e o Instituto de Plastinação anunciam o falecimento do doutor Gunther von Hagens, inventor da plastinação e criador das exposições Body Worlds, ocorrido em 24 de julho de 2026”, afirmou a organização em um comunicado. Apelidado de “Doutor Morte”, Von Hagens revolucionou a conservação de tecidos humanos ao extrair água e gordura e substituí-las por silicone ou resina epóxi.
Legado científico e controvérsias
As exposições Body Worlds (Körperwelten, em alemão) já foram visitadas por mais de 58 milhões de pessoas em todo o mundo. Elas apresentam corpos humanos e animais em diversas posturas, permitindo a observação detalhada de músculos, esqueletos e órgãos. Apesar do sucesso de público, as mostras sempre geraram polêmica: autoridades de vários países tentaram proibi-las por considerá-las desrespeitosas ou contrárias à moral.
Em Berlim, a exposição permanente inaugurada em 2015 enfrentou forte oposição das autoridades locais, que levaram o caso aos tribunais sob alegação de violação da legislação. A Justiça, no entanto, deu razão aos organizadores. Em Moscou, em 2021, as autoridades abriram temporariamente uma investigação por suspeita de infringir “normas morais” e a legislação russa.
Origem e desenvolvimento da plastinação
Von Hagens cresceu na antiga Alemanha Oriental e foi preso por tentar fugir do regime comunista, antes de conseguir se mudar para a Alemanha Ocidental. Segundo o comunicado que anunciou sua morte, o médico desenvolveu a técnica de plastinação em 1977, na Universidade de Heidelberg. O método permitiu que corpos humanos fossem preservados por longos períodos, sendo utilizados tanto para fins educacionais quanto para exibições públicas.
“Gunther von Hagens havia manifestado o desejo de que seu próprio corpo fosse plastinado após sua morte. Sua família anunciou que respeitará e cumprirá essa vontade”, diz o comunicado. A equipe ressaltou que suas exposições contribuíram para “tornar a anatomia acessível ao grande público”, fomentando “a reflexão sobre saúde, doença, estilos de vida e mortalidade”. Também o descreveu como “um pioneiro, um pesquisador, um inventor” e um “pensador iconoclasta e por vezes controverso”.
Repercussão e homenagens
A notícia da morte de Von Hagens gerou reações diversas. Enquanto muitos reconhecem seu papel inovador na divulgação da anatomia, outros criticam a espetacularização dos corpos. Independentemente das polêmicas, seu legado científico é inegável: a plastinação tornou-se uma ferramenta importante para o ensino médico e a pesquisa.
As exposições Body Worlds continuam em funcionamento em várias cidades do mundo, mantendo viva a visão de seu criador. Agora, o corpo de Gunther von Hagens se juntará às peças que ele próprio ajudou a eternizar.



