Cientistas montaram na Amazônia uma máquina para simular o clima do futuro. No meio da floresta, um guindaste leva até a estrutura que já está em operação. “Parece um parque de diversão, mas esse é o único que tem a Amazônia. Essas torres emitem CO2, dióxido de carbono, diretamente na copa das árvores, a céu aberto, com o objetivo de simular uma atmosfera que a gente vai ter no planeta daqui a 30, 50 anos. A ideia é que a gente entenda como as mudanças climáticas vão atingir o funcionamento da Floresta Amazônica”, explica Carlos Alberto Quesada, coordenador científico do AmazonFace/INPA.
Estrutura dos anéis e instalação
Cada um dos seis anéis tem 30 metros de diâmetro e é formado por torres com 40 metros de altura. Elas foram instaladas em uma área a 100 km de Manaus. São 16 torres de alumínio que foram fabricadas em Campinas, São Paulo, e levadas para Manaus por caminhões — uma viagem que durou 15 dias. “A partir desse momento, a gente está entrando em um dos seis anéis. Daqui a alguns meses, o ar respirado aqui dentro será o ar do futuro”, conta o repórter Heitor Moreira.
Medições e objetivos científicos
“Dentro desses anéis, a gente precisa medir simplesmente tudo. Desde a fotossíntese até o topo das copas ali das árvores, até a produção de raízes finas abaixo do solo”, diz David Lapola, coordenador científico do AmazonFace/Unicamp. Os dados vão direto para computadores que simulam os efeitos da mudança do clima em áreas maiores ao longo de muitos anos. O projeto do Ministério da Ciência e Tecnologia é uma parceria com o governo britânico.
Uma preocupação dos cientistas do Inpa e da Unicamp é que o aumento da presença de gás carbônico no planeta reduza a quantidade de água que as árvores liberam em forma de vapor na atmosfera. “Aqui é uma janela para o futuro. Eu, como cientista, consigo olhar para o que está acontecendo hoje e entender o que vai acontecer no futuro, quando a concentração de CO2 atmosférico for maior. Então, a gente consegue se antecipar para ter política pública adequada para lidar com esse cenário”, afirma a engenheira florestal Isabela Aleixo.
Impacto das chuvas e rios voadores
Entender o futuro da floresta para prever e cuidar do nosso futuro. “De 30% a 50% das chuvas que acontecem no Sul do país vêm daqui, são produzidas por essas árvores. Essa umidade chega na atmosfera, que alimenta a formação das nuvens. Essas nuvens descem pela América do Sul, ali no que a gente convencionou a chamar de rios voadores, e isso alimenta a agricultura, a produção de alimentos que você come, isso alimenta geração de energia, isso afeta um monte de fatores”, explica Carlos Alberto Quesada.



