O eclipse solar total previsto para 12 de agosto de 2026 não será apenas um espetáculo para os observadores humanos, mas também um evento que influenciará profundamente o comportamento de diversas espécies animais. Pesquisadores da Universidade Complutense de Madri (UCM) documentaram que o escurecimento temporário provocado pelo fenômeno altera os ritmos biológicos e desencadeia reações específicas em aves, primatas e répteis.
Aves interrompem o canto e buscam abrigo
De acordo com estudos anteriores, muitas espécies de aves reagem à súbita escuridão como se fosse o anoitecer. Elas interrompem o canto, voam para seus ninhos ou poleiros e reduzem a atividade. Esse comportamento foi observado em eclipses passados, como o de 2017 nos Estados Unidos, quando ornitólogos notaram que pássaros canoros silenciaram por até 30 minutos após a totalidade.
A pesquisadora da UCM, Dra. Maria Soler, explica: “As aves possuem relógios biológicos muito sensíveis à luz. Quando o céu escurece abruptamente, elas interpretam como um sinal para se preparar para a noite, mesmo que seja por poucos minutos.”
Primatas demonstram inquietação e vigilância
Primatas, como macacos e chimpanzés, apresentam reações de alerta durante o eclipse. Estudos indicam que eles podem parar de se alimentar, emitir vocalizações de alarme e agrupar-se em busca de proteção. Em algumas colônias, observou-se aumento da agitação e comportamentos de vigilância, como se estivessem diante de uma ameaça desconhecida.
“O comportamento dos primatas sugere que eles percebem a anomalia do escurecimento diurno, mas não associam a um perigo real, apenas demonstram estresse temporário”, afirma o biólogo Dr. Carlos Mendes, coautor do estudo.
Répteis exibem comportamentos de acasalamento
Curiosamente, alguns répteis, como lagartos e tartarugas, podem interpretar a escuridão como um sinal para atividades noturnas, incluindo cortejos e acasalamento. Em eclipses anteriores, foi registrado que certas espécies de lagartos iniciaram displays de acasalamento típicos do entardecer, mesmo em pleno dia.
“Répteis ectotérmicos dependem da temperatura e da luz para regular seu metabolismo e comportamento. A queda abrupta de luminosidade pode enganar seus sensores biológicos”, detalha a Dra. Soler.
Oportunidade científica para estudar adaptação animal
O eclipse de 2026, que será visível em uma faixa que cruza a Península Ibérica, oferece uma rara oportunidade para cientistas observarem em tempo real como diferentes espécies reagem a uma mudança ambiental extrema e repentina. As pesquisas da UCM fazem parte de um projeto maior que visa entender a plasticidade dos ritmos circadianos em animais selvagens.
“Cada espécie reage de maneira única, e isso nos ajuda a compreender como os animais se adaptam a variações inesperadas no ambiente”, conclui o Dr. Mendes. O evento também pode fornecer insights sobre os efeitos de mudanças climáticas e poluição luminosa nos ecossistemas.



