Camundongo de altitude extrema pode ajudar em estudos de hipóxia e câncer
Camundongo de altitude extrema pode ajudar em estudos médicos

Pesquisadores descobriram que o camundongo-orelhudo-andino (Phyllotis vaccarum) possui adaptações genéticas e fisiológicas que lhe permitem sobreviver em altitudes superiores a 6.700 metros nos Andes. Essas características podem abrir novas possibilidades para a medicina, especialmente no estudo da hipóxia, doenças cardíacas e câncer.

Adaptações genéticas únicas

O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revelou que o roedor apresenta mutações em genes relacionados ao metabolismo do oxigênio. Uma das principais descobertas é a presença de uma enzima modificada que permite respirar mais rápido sem aumentar a produção de glóbulos vermelhos, o que evita o espessamento do sangue comum em outros animais adaptados à altitude.

"O camundongo-orelhudo-andino desenvolveu mecanismos que podem ser relevantes para entender como os tecidos humanos reagem à falta de oxigênio", afirmou a pesquisadora Jay Storz, da Universidade de Nebraska-Lincoln, líder do estudo.

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Semelhanças com humanos

Os cientistas identificaram que algumas adaptações genéticas do camundongo são similares às encontradas em populações humanas que vivem em grandes altitudes, como nos Andes e no Himalaia. No entanto, o roedor apresenta variações mais extremas, que podem oferecer pistas para tratamentos de condições como a hipóxia crônica, insuficiência cardíaca e até mesmo o câncer, já que tumores frequentemente criam ambientes com baixo oxigênio.

Potencial para a medicina

"Compreender como esse animal evita os danos da hipóxia pode levar a novas terapias para doenças humanas", explicou Storz. Segundo a pesquisa, a enzima modificada, chamada hemoglobina, tem uma afinidade maior pelo oxigênio, permitindo que o sangue transporte mais oxigênio mesmo em baixas pressões atmosféricas.

Além disso, os camundongos não apresentam problemas cardíacos comuns em outros mamíferos expostos a altitudes extremas, sugerindo que seus corações são mais resistentes ao estresse oxidativo.

Próximos passos

Os pesquisadores planejam agora investigar se essas adaptações podem ser replicadas em modelos animais de doenças humanas. "Se conseguirmos entender os mecanismos moleculares, poderemos desenvolver drogas que imitem esses efeitos", concluiu Storz.

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