O número de ataques de ransomware aumentou 178% nos últimos 12 meses, com o Brasil e a América Latina se tornando os principais alvos da modalidade criminosa. De acordo com o relatório anual de ameaças cibernéticas da empresa de segurança Trend Micro, a região latino-americana registrou um crescimento de 210% nos incidentes, superando a média global. O Brasil isoladamente responde por 45% dos ataques na América do Sul, consolidando-se como o país mais visado.
Crescimento expressivo e setores mais afetados
O estudo aponta que os setores de saúde, governo e finanças foram os mais impactados, com 32%, 28% e 22% dos ataques, respectivamente. Hospitais brasileiros sofreram interrupções graves em sistemas de gestão de pacientes, enquanto prefeituras de médio porte tiveram dados sequestrados por criminosos que exigiram resgates em criptomoedas. O valor médio exigido por resgate subiu 45%, chegando a US$ 850 mil por incidente.
“O ransomware evoluiu de ataques genéricos para campanhas altamente direcionadas, explorando vulnerabilidades em sistemas legados e falta de treinamento de funcionários”, afirma o relatório. As pequenas e médias empresas (PMEs) representam 67% das vítimas, pois muitas não possuem backups off-line nem planos de resposta a incidentes.
Fatores que explicam o aumento
Entre os motivos para o crescimento, destacam-se a proliferação de grupos de ransomware como serviço (RaaS), que permitem que criminosos menos experientes realizem ataques, e a baixa adoção de autenticação multifator (MFA). Apenas 23% das empresas brasileiras implementaram MFA em todos os sistemas críticos, segundo a pesquisa. Além disso, a pandemia acelerou a digitalização, mas muitas organizações negligenciaram a segurança cibernética.
A América Latina, em particular, sofre com a falta de regulamentações robustas de proteção de dados e com a escassez de profissionais especializados. O Brasil possui a maior economia digital da região, o que o torna um alvo atraente para extorsão.
Impactos econômicos e operacionais
O custo médio de um ataque de ransomware para empresas brasileiras foi estimado em R$ 2,3 milhões, considerando perdas por paralisação, pagamento de resgate e danos à reputação. No setor público, 38% dos municípios atacados relataram perda total de dados, mesmo após pagamento. Especialistas recomendam a adoção de backups imutáveis e a realização de simulações de ataque.
“O cenário é crítico. As empresas precisam tratar cibersegurança como prioridade estratégica, não apenas como despesa”, alerta o diretor de segurança da informação do DINO, Pedro Almeida. Ele ressalta que 76% dos ataques bem-sucedidos exploram senhas fracas ou reutilizadas.
Previsões e recomendações
A tendência é de aumento ainda maior em 2026, com a expansão da Internet das Coisas (IoT) e do trabalho remoto. A Trend Micro projeta que o ransomware será responsável por 40% das violações de dados na América Latina até o final do ano. As medidas preventivas incluem atualização constante de softwares, segmentação de redes e treinamento contínuo de funcionários.
Governos da região começam a reagir: o Brasil lançou a Estratégia Nacional de Cibersegurança, que prevê investimento de R$ 1 bilhão em cinco anos. No entanto, para especialistas, a implementação ainda é lenta. “Enquanto isso, os criminosos avançam mais rápido do que a capacidade de defesa”, conclui o relatório.



