A Agência Europeia de Cibersegurança (Enisa) realizará uma reunião com a empresa americana de inteligência artificial (IA) Anthropic, conforme informou um porta-voz da Comissão Europeia nesta quarta-feira (17). O encontro está marcado para amanhã em São Francisco, nos Estados Unidos.
Reunião a convite da Anthropic
Segundo o porta-voz da Comissão Europeia, a reunião acontecerá a convite da Anthropic, proprietária do assistente de IA Claude, e foi agendada antes da restrição do acesso aos modelos mais avançados da companhia. A Enisa busca entender as implicações da medida para a cibersegurança europeia.
Reação do chanceler alemão
Durante o encontro do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou que o potencial das novas tecnologias "deve estar disponível para todos os países", mas reforçou que o caso mostra que a Europa "precisa se atualizar". Merz destacou a necessidade de investimentos em IA para não ficar para trás.
Restrição dos EUA aos modelos Claude
Na semana passada, a Anthropic anunciou ter restringido o acesso aos seus modelos após receber uma ordem do governo dos Estados Unidos, que cita preocupações de segurança nacional. Em comunicado, a empresa informou ter recebido uma diretriz para bloquear os modelos Claude Fable 5, lançado na última terça-feira, e Claude Mythos 5 para todos os cidadãos estrangeiros, "dentro ou fora dos Estados Unidos, incluindo funcionários estrangeiros da própria empresa".
"O acesso está bloqueado temporariamente para todos os clientes, a fim de garantir conformidade com a ordem", informou a Anthropic. O bloqueio repentino marca uma escalada significativa no embate entre a empresa e a Casa Branca, sob o presidente Donald Trump.
Negociações fracassadas e impacto financeiro
Fracassaram negociações no início deste ano sobre o uso da tecnologia da companhia por militares e serviços de inteligência dos EUA. A restrição poderá prejudicar os planos da Anthropic de realizar uma oferta pública inicial de ações, possivelmente no segundo semestre deste ano, com uma avaliação próxima de US$ 1 trilhão. Prolifera a preocupação entre investidores sobre riscos regulatórios e a capacidade da empresa de manter sua vantagem tecnológica.



