BYD entra no top 10 de montadoras na Argentina em meio a tensões políticas
BYD entra no top 10 de montadoras na Argentina

A montadora chinesa BYD, especializada em veículos elétricos, já figura entre as dez maiores montadoras na Argentina em 2025, menos de um ano após sua chegada ao país, em setembro de 2024. O feito ocorre em um contexto de forte alinhamento do presidente argentino Javier Milei com o ex-presidente dos EUA Donald Trump, que tensiona as relações comerciais com a China.

Ascensão rápida da BYD no mercado argentino

Dados do setor automotivo argentino mostram que a BYD conquistou participação significativa em poucos meses, impulsionada pela demanda por veículos elétricos e híbridos em um mercado que busca alternativas aos combustíveis fósseis. A empresa chinesa já vendeu milhares de unidades e expandiu sua rede de concessionárias para mais de 20 pontos de venda.

Analistas atribuem o crescimento à competitividade dos preços e à tecnologia das baterias, que tornam os carros da BYD opções atraentes para consumidores argentinos, mesmo com a instabilidade econômica e as taxas de importação.

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Contexto político e econômico

A presença da BYD na Argentina contrasta com a postura do governo Milei, que tem buscado estreitar laços com os Estados Unidos e reduzir a dependência da China. Milei, aliado de Trump, criticou abertamente o Partido Comunista Chinês durante a campanha, mas a realidade comercial impõe pragmatismo. O país sul-americano ainda depende de investimentos chineses em infraestrutura e comércio, especialmente no setor de lítio, essencial para baterias de veículos elétricos.

"A Argentina não pode simplesmente ignorar a China, que é o segundo maior parceiro comercial e um grande investidor em mineração de lítio", afirmou um economista local, sob condição de anonimato. "A BYD está aproveitando essa janela de oportunidade enquanto o governo busca equilibrar discurso e necessidade."

Desafios e perspectivas

Apesar do crescimento, a BYD enfrenta barreiras: a Argentina impõe cotas de importação e altos impostos para veículos montados fora do Mercosul. A empresa estuda a possibilidade de instalar uma fábrica local para contornar essas restrições, o que poderia gerar empregos e reduzir custos.

Especialistas preveem que a BYD continuará a ganhar espaço, especialmente se o governo Milei moderar sua retórica anti-China em troca de investimentos. O mercado de veículos elétricos na Argentina ainda é pequeno, mas cresce rapidamente: as vendas de elétricos e híbridos aumentaram 80% em 2024, segundo a Associação de Concessionários Automotivos da Argentina.

Impacto regional

A entrada da BYD no top 10 argentino reflete uma tendência maior na América Latina, onde montadoras chinesas estão ganhando terreno. No Brasil, a BYD já é a maior vendedora de veículos elétricos, com uma fábrica em construção na Bahia. No Chile, a empresa lidera o segmento de elétricos.

"A experiência argentina mostra que a força dos carros elétricos chineses vai além da política. Eles oferecem tecnologia a preços competitivos, e os consumidores estão respondendo", concluiu o analista automotivo Ricardo Leite.

A BYD não comentou oficialmente sobre as perspectivas para 2025, mas a meta interna é alcançar o quinto lugar no ranking argentino até o final do ano.

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