Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, protocolou nesta quinta-feira um pedido para que a Comissão de Ética do clube encerre o processo disciplinar contra ele. A medida ocorre após ele renunciar ao cargo no Conselho Deliberativo e entregar seu título de sócio, na última quarta-feira. A defesa de Casares utiliza o artigo 5º, inciso XX, da Constituição Federal para contestar o Estatuto Social do clube, que impossibilita a saída de sócios durante investigações.
Audiência não comparecida e argumento constitucional
O ex-presidente não compareceu à audiência marcada para esta quinta-feira na Comissão de Ética. Seus advogados, Bruno Borragine, Daniel Bialski e André Bialski, argumentam que ninguém pode ser compelido a permanecer associado, conforme a Constituição. O Estatuto do São Paulo, por outro lado, prevê que não será aceito pedido de demissão do quadro associativo enquanto o associado for alvo de procedimento administrativo disciplinar.
Contexto das investigações
Casares é investigado por suspeita de lavagem de capitais e participação em esquema de exploração clandestina de um camarote do Estádio do Morumbis durante shows. A denúncia foi revelada pelo ge em dezembro de 2025. O ex-presidente comandou o São Paulo de janeiro de 2021 a janeiro de 2026. No início deste ano, sofreu impeachment no Conselho Deliberativo devido ao caso. Pouco depois, renunciou à presidência antes de uma assembleia geral que decidiria seu futuro.
Possíveis consequências
Apesar de ter deixado o quadro de sócios, Casares ainda pode ser expulso do clube, pois a Comissão de Ética pode prosseguir com as investigações independentemente de sua renúncia. A defesa, contudo, insiste no fim do processo com base no direito constitucional de não permanecer associado contra a vontade. A situação expõe um embate entre o estatuto interno do São Paulo e a legislação federal, com desfecho ainda incerto.



