TSE suspende cassação de prefeito de São Benedito do Rio Preto
TSE suspende cassação de prefeito de São Benedito

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu medida cautelar que suspende os efeitos da cassação do prefeito de São Benedito do Rio Preto, Wallas Rocha, e da vice-prefeita, Débora Heilmann. A decisão, assinada pelo presidente da Corte, ministro Nunes Marques, garante a permanência da chapa no comando do município até o julgamento definitivo do recurso especial interposto pela defesa.

Motivo da suspensão: nulidade no julgamento do TRE-MA

A defesa dos gestores recorreu ao TSE alegando que o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) ocorreu em desrespeito ao artigo 28, §4º, do Código Eleitoral. A norma exige a presença de todos os sete membros da Corte para julgar processos que resultem em cassação de mandato. No caso, o julgamento do recurso eleitoral e dos embargos de declaração, em julho de 2026, foi realizado com apenas cinco juízes em plenário.

A defesa argumentou que três novos magistrados foram nomeados pelo governo federal antes da conclusão do julgamento, o que tornaria obrigatória a recomposição do quórum completo. O ministro Nunes Marques acolheu o argumento, destacando que "a imediata execução do acórdão recorrido acarreta a cassação dos diplomas e o afastamento dos mandatários eleitos, de modo que eventual provimento do recurso especial, em momento posterior, não seria suficiente para recompor integralmente os efeitos decorrentes da ruptura da continuidade do mandato".

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Entendimento cautelar sobre riscos à gestão local

Na decisão cautelar, o presidente do TSE considerou que o afastamento imediato poderia interromper o mandato antes de uma análise definitiva pela Corte Superior, causando danos de difícil reparação ao mandato concedido pelo voto popular. Os principais pontos analisados foram: inobservância do quórum legal, composição recomposta do TRE-MA com a nomeação de novos membros em 7 de julho de 2026, e o risco à gestão local.

Com a liminar, ficam suspensos a ordem de afastamento dos gestores e os atos para a realização de novas eleições em São Benedito do Rio Preto. O processo principal está sob a relatoria do ministro André Mendonça, que será responsável por apresentar o voto sobre o mérito do recurso especial no plenário do TSE.

Histórico da cassação e acusações de desvio do Fundeb

O TRE-MA manteve a cassação de Wallas Rocha e Débora Heilmann no dia 26 de maio de 2026, por abuso de poder político e econômico. A ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apontou o uso irregular de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para pagamentos a familiares, aliados políticos e empresas sem vínculo formal, com o objetivo de obter apoio político durante a campanha de 2024.

As investigações da Polícia Federal, iniciadas em 2025, apontam supostos desvios superiores a R$ 13 milhões em recursos do Fundeb no município. Segundo a PF, mais de mil pessoas foram beneficiadas irregularmente. O prefeito realizou transferências desde janeiro de 2023 para blogueiros, candidatos a vereador de seu grupo político, familiares e apoiadores para promover sua campanha. A inelegibilidade de Wallas Rocha foi mantida por oito anos, mas a vice-prefeita não foi sancionada por falta de provas de sua participação.

Impacto na educação e pior Ideb do país

São Benedito do Rio Preto, com pouco mais de 18 mil habitantes, registrou o pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país nos anos iniciais do ensino fundamental. Em novembro de 2024, o programa Fantástico revelou que alunos sofriam com falta de transporte e escolas precárias, enquanto R$ 13 milhões destinados à educação foram desviados para contas de parentes do prefeito e da primeira-dama. A reportagem teve acesso aos extratos da conta do Fundeb de janeiro de 2023 a julho de 2024, confirmando transferências para mais de 1.500 pessoas. Só para 11 parentes do prefeito e da primeira-dama, os valores somam mais de R$ 317 mil.

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Próximos passos do processo

A decisão do TSE suspende temporariamente os efeitos da cassação até o julgamento do recurso especial, que analisará o mérito da nulidade processual. A relatoria é do ministro André Mendonça. Caso o recurso seja negado, a cassação poderá ser revalidada, e novas eleições deverão ser convocadas. O Ministério Público Eleitoral também acompanha o caso para adoção de medidas cabíveis.