O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou um monitoramento discreto das eleições para o Senado Federal em 2026, com o objetivo de mapear riscos de impeachment que possam afetar o governo a partir de 2027. A informação foi confirmada por fontes internas da Corte, que pediram anonimato para tratar do assunto sensível.
Monitoramento estratégico
De acordo com as fontes, o STF está analisando a composição futura do Senado, especialmente os candidatos com maior potencial de assumir cadeiras-chave. O foco recai sobre partidos da oposição e figuras que já sinalizaram possibilidade de apoiar processos de impeachment contra o presidente ou membros do alto escalão. O levantamento inclui dados de pesquisas eleitorais, perfil dos candidatos e histórico de votações em temas relevantes.
Risco de impeachment em 2027
O mapeamento considera dois cenários principais: um impeachment presidencial e a cassação de ministros de Estado. No primeiro caso, o STF avalia a probabilidade de o Senado abrir processo contra o chefe do Executivo a partir de 2027, quando a nova legislatura tomará posse. No segundo, a Corte se preocupa com eventuais pedidos de impeachment contra ministros indicados pelo atual governo, que poderiam ser aprovados por uma maioria oposicionista.
“Estamos apenas nos preparando para todos os cenários possíveis, sem tomar partido. A Corte precisa estar pronta para garantir a estabilidade institucional, independentemente do resultado das urnas”, afirmou uma fonte com acesso direto às discussões.
Impacto no governo e no Congresso
O monitoramento já gerou reações no Palácio do Planalto. Assessores presidenciais foram informados de que o STF está atento a movimentações no Congresso, especialmente após a aprovação de emendas que ampliam o poder do Legislativo. A equipe jurídica do governo já iniciou um contra-mapeamento para identificar parlamentares aliados e fortalecer a base de apoio no Senado.
Números do cenário político
Atualmente, o governo conta com 42 senadores em sua base, mas a meta é chegar a 49 para garantir a aprovação de projetos e evitar impedimentos. Nas eleições de 2026, estão em disputa 54 cadeiras do Senado — o que pode alterar significativamente o equilíbrio de forças. Segundo projeções internas do STF, uma oposição com mais de 45 senadores tornaria viável a abertura de um processo de impeachment.
Reação de especialistas
Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, a iniciativa do STF é inédita e pode ser interpretada como uma tentativa de se antecipar a crises. “O tribunal está saindo de uma postura reativa para uma proativa. Isso pode ser visto como interferência, mas também como prudência diante de um cenário polarizado”, analisa. Ele ressalta que o STF já atuou como árbitro em momentos de tensão, como nas eleições de 2022.
Próximos passos
O monitoramento deve se intensificar a partir de janeiro de 2026, quando as campanhas eleitorais ganharem corpo. O STF também planeja encontros com presidentes de partidos e lideranças do Senado para discutir o cenário, embora oficialmente a Corte negue qualquer interferência. Até lá, os ministros acompanharão de perto os desdobramentos políticos, mantendo o sigilo das análises.



