Terremoto 5,6 na fronteira com o Peru assusta Acre
Terremoto 5,6 na fronteira com o Peru assusta Acre

O terremoto de magnitude 5,6 que teve origem na fronteira entre o Peru e o Brasil, na noite de quinta-feira (30), foi sentido por moradores do Acre. O epicentro foi localizado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) nas proximidades de Pucallpa, cidade peruana situada a cerca de 60 quilômetros da divisa com o Acre. O abalo ocorreu por volta das 20h no horário local, 22h em Brasília.

De imediato, relatos de tremor de terra começaram a circular em cidades do interior do Acre. Em Marechal Thaumaturgo, município do Vale do Juruá, uma moradora que não quis se identificar contou ao g1 que estava em casa com o marido quando tudo começou a balançar. "Foi um pouco forte aqui, estávamos no sofá assistindo TV, quando balançou tudo", disse. A cidade fica a cerca de 600 quilômetros de Rio Branco.

Tarauacá também registrou tremor

No município de Tarauacá, a pouco mais de 400 quilômetros da capital acreana, o jornalista Gilson Amorim passou por situação semelhante. Ele estava na sala quando o imóvel balançou e notou que um espelho pendurado na parede se movia. "Eu estava sentado aqui no sofá, senti a casa balançando e quando eu olhei, tem um espelho aqui na parede que estava se movendo. Aí eu disse: rapaz, isso é um terremoto", afirmou.

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Os relatos também se multiplicaram em grupos de aplicativos de mensagens. Um morador escreveu: "Aqui está balançando a casa". Outra pessoa complementou: "Três balanços". As mensagens foram compartilhadas por moradores de Tarauacá e Marechal Thaumaturgo e mostram que o abalo foi percebido de forma simultânea em diferentes pontos da região.

Entenda o que causou o abalo

De acordo com informações preliminares, o terremoto ocorreu a uma profundidade de 145 quilômetros. Em termos sismológicos, abalos com hipocentro profundo costumam liberar energia em camadas mais distantes da superfície, o que diminui a possibilidade de danos estruturais. Apesar do susto, não há registro de feridos ou destruição no lado brasileiro.

A ocorrência de tremores na região não é inédita. O Acre, por estar localizado próximo à cordilheira dos Andes, já sentiu os efeitos de outros terremotos originados no Peru e em países vizinhos. A diferença na dinâmica das placas tectônicas explica por que o Brasil, em geral, apresenta baixa atividade sísmica, enquanto o Peru tem tremores com mais frequência.

O território brasileiro está assentado sobre o interior de uma placa tectônica, área mais estável. Já o Peru fica sobre a borda, onde placas se encontram e se atritam constantemente. É nesse contato que ocorrem os terremotos de maior magnitude. Quando a energia liberada é muito grande, as ondas sísmicas podem se propagar até estados brasileiros próximos, como o Acre.

Um exemplo recente do alcance desses abalos aconteceu em junho, quando um duplo terremoto atingiu a Venezuela e deixou mais de 5 mil mortos. Moradores do Pará, Amazonas, Roraima e Amapá relataram ter sentido os tremores, ainda que o Brasil não tenha registrado danos.

O tremor desta quinta-feira foi sentido num intervalo curto de tempo, mas a avaliação inicial é de que sua profundidade evitou consequências mais graves. Enquanto isso, moradores do interior do Acre seguem compartilhando suas experiências e relembrando que, apesar de raros, os terremotos na região podem ser percebidos com intensidade.

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